Alphabet cai mais que na crise de 2008 e na pandemia, e Google vive o pior dia na Bolsa

As ações da Alphabet, controladora do Google, despencaram mais de 12% na quinta-feira (29). Foi o pior dia já registrado pela companhia, com uma queda maior do que qualquer sessão durante a pandemia de Covid-19 ou a crise financeira de 2008.
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O tombo eliminou cerca de meio trilhão de dólares do valor de mercado da empresa. Em um único dia, só perdeu para o recuo de quase US$ 600 bilhões da Nvidia, registrado no início de 2025, o que a coloca em segundo lugar na história dessa lista.
Por que os investidores reagiram tão mal
Os investidores passaram a olhar com lupa os gastos das grandes empresas de tecnologia com inteligência artificial e o efeito dessa tecnologia sobre os próprios negócios. A Alphabet, agora, é o alvo mais recente dessa desconfiança.
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No caso da empresa, o problema combina duas pontas. A receita de publicidade em buscas do Google desacelerou, enquanto os gastos com IA continuam crescendo em ritmo acelerado. As big techs gastam centenas de bilhões de dólares em data centers para tentar ficar entre as vencedoras do boom da IA.
Wall Street, por sua vez, quer entender quem está gastando com racionalidade, como esses desembolsos afetam o restante das operações e quem de fato vai se beneficiar do impacto transformador da IA na sociedade.
Vendas do trimestre ficaram aquém do esperado
Na quarta-feira, a Alphabet divulgou vendas trimestrais abaixo das projeções dos analistas. O número reacendeu uma dúvida antiga: a publicidade em buscas, principal fonte de receita da companhia, vai resistir à migração de usuários para chatbots de IA, sejam eles do Google ou de concorrentes?
“O temor é que esse deslocamento possa acontecer mais rápido do que o Google consegue reagir e redirecionar seus negócios”, disse Jed Ellerbroek, gestor de portfólio da Argent Capital Management.
Fluxo de caixa negativo acende alerta
A empresa também registrou o segundo trimestre seguido com fluxo de caixa livre negativo, um dado que preocupa quem acompanha as ações. Desde a abertura de capital, em 2004, o Google, que virou Alphabet em 2015, não tinha apresentado nenhum trimestre desse tipo até este ano.
Um fluxo de caixa livre robusto costuma indicar uma empresa saudável, capaz de pagar dividendos, recomprar ações e reinvestir no próprio negócio. No caso da Alphabet, o volume de US$ 51,4 bilhões em despesas de capital só no terceiro trimestre, frente a US$ 91,4 bilhões em todo o ano de 2025, deixa menos dinheiro disponível para esse tipo de retorno imediato.
A Microsoft, em contraste, informou ter gerado US$ 18,6 bilhões em fluxo de caixa livre no terceiro trimestre, mesmo mantendo gastos bilionários na expansão de IA. Na quinta-feira, as ações da Microsoft ficaram estáveis, enquanto as da Alphabet caíram mais de 12%.
“Agora estamos começando a ver quem está gastando de forma racional em IA e quem não está”, disse Richard Reyle, diretor de investimentos da Questar Capital Partners.
Anthropic e a dúvida sobre o retorno da IA
Pode soar estranho que as ações de uma das maiores big techs não tenham subido, já que a Anthropic protocolou, alguns dias antes, seu tão aguardado prospecto de oferta pública inicial. A empresa se comprometeu a gastar muito dinheiro para alugar capacidade computacional de companhias como a Alphabet.
Essa promessa, porém, não está garantida, sobretudo se a expansão dos data centers não sair como planejado ou se a IA não for tão lucrativa quanto o esperado. A Alphabet pede que os investidores acreditem em sua visão para a IA, ao mesmo tempo em que tenta monetizar a tecnologia e mostrar retornos sólidos.
O crescimento das divisões de computação em nuvem sinaliza que a demanda segue robusta, mas o mercado está nervoso com qualquer falha no boom da IA.
Para bancar as ambições, big techs como a Alphabet têm recorrido a dívidas e ao mercado financeiro. Mesmo que as empresas digam estar tentando acompanhar a demanda, a disputa por recursos dos investidores só aumenta.
“Todo mundo está tentando passar pela porta ao mesmo tempo, e isso faz as pessoas hesitarem”, disse Ted Mortonson, estrategista de investimentos da Baird especializado no setor de tecnologia. Wall Street, nesse cenário, segue cada vez mais preocupada com a expansão dos data centers, e as empresas que consomem o fluxo de caixa livre vêm sendo penalizadas.
Editoria:
Redação Economia
A Redação Economia reúne a cobertura do Clique Fatos sobre economia, negócios, mercado financeiro, agronegócio e finanças pessoais. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].



