Fundadores da Rocketseat lançam a Nave, empresa de agentes de IA, cinco anos após vender a startup
Robson Marques e Cleiton Souza voltam a empreender. Cinco anos depois de venderem a Rocketseat para a argentina Digital House, em 2021, os dois lançam a Nave, empresa de tecnologia com ambição que vai além do mercado brasileiro. A companhia foi fundada em 2026, tem sede em São Paulo e nasceu de uma parceria com Isabela Castilho, executiva que também integrou a liderança da Rocketseat.
A trajetória dos fundadores começou com o limite de um cartão de crédito. Quatro anos depois, a empresa criada em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí, em Santa Catarina, fechou uma operação de R$ 150 milhões, justamente a venda da Rocketseat. Para muitos empreendedores, seria o ponto alto de uma carreira.
Para Robson e Cleiton, foi apenas mais uma etapa.
Como a Rocketseat chegou à venda para a Digital House
O negócio nasceu em 2017, quando Robson e Cleiton se juntaram a Diego Fernandes para montar uma plataforma de formação de desenvolvedores de software. Sem recorrer a investidores externos, a empresa cresceu até reunir cerca de 100 profissionais e despertou o interesse da Digital House.
A negociação incluiu dinheiro e troca de ações. Hoje, segundo a própria empresa, a Rocketseat reúne uma comunidade de mais de 1 milhão de desenvolvedores.
Depois da transação, Robson atuou como consultor, ajudando outras companhias a lidar com problemas de crescimento. Foi nesse trabalho que ele percebeu um descompasso. Enquanto a tecnologia avançava em ritmo inédito, muitos negócios seguiam dependentes dos gestores para executar atividades, organizar rotinas e tomar decisões do dia a dia.
Essa percepção levou à decisão de empreender de novo.
Nave aposta em agentes de IA que executam processos inteiros
Se a Rocketseat ensinava pessoas a programar, a Nave quer fazer a tecnologia executar parte do trabalho. A plataforma usa agentes de inteligência artificial capazes de assumir funções em vendas, marketing, atendimento, finanças e recursos humanos.
O diferencial, segundo a empresa, está em conduzir processos completos, e não apenas responder a comandos isolados. “Aquilo que sabíamos sobre tecnologia e gestão ficou obsoleto. A IA já está dentro das empresas, mas quase nenhuma mudou a forma como funciona”, afirma Isabela Castilho, CTO da Nave.
Meta de 2 mil clientes e R$ 48 milhões em receita recorrente
O público-alvo são empresas de médio e grande porte, sobretudo as que faturam acima de R$ 100 mil por mês e ainda dependem diretamente dos proprietários para crescer.
A Nave prevê mensalidade média de R$ 2 mil. Se alcançar a base de clientes que definiu como meta, a companhia projeta uma receita recorrente de R$ 4 milhões por mês. A empresa também pretende chegar a 2 mil clientes até novembro de 2027 e atingir R$ 48 milhões em receita recorrente anualizada.
O maior desafio, agora, é transformar a proposta em um negócio de escala. A companhia também prevê desembarcar nos Estados Unidos ainda no próximo ano, depois de validar o modelo no Brasil.
Simplifique Finanças relata salto no faturamento
Um dos primeiros casos apresentados pela startup é o da Simplifique Finanças. Segundo os dados fornecidos pelas companhias, os agentes de IA analisaram 43,7 mil conversas e 214 horas de áudio em 60 dias de operação.
No mesmo período, o faturamento mensal saltou de R$ 63 mil para R$ 652 mil, mais de dez vezes o valor inicial. As vendas subiram 79%, e os contatos abandonados caíram 88%.
Os números são expressivos, mas não há avaliação independente que permita atribuir todo o crescimento à tecnologia. Para Helder Johnes, CEO da Simplifique Finanças, a rotina de gestão também mudou. “A IA gerencia o time e eu lidero para o crescimento”, resume.
Crescimento sem investidores externos volta ao modelo de 2017
Há outra semelhança entre a Nave e a trajetória iniciada em Santa Catarina. Mesmo após uma negociação milionária, os fundadores decidiram crescer sem investidores externos, financiando a expansão com a receita dos próprios clientes.
“Na Rocketseat, crescemos sem investidores, operando apenas com a receita dos clientes até o exit. E decidimos repetir a mesma trilha com a Nave, só que agora num mercado muito maior e usando IA para otimizar os resultados”, afirma Robson Marques, CEO da Nave.
Para Robson, a origem da empresa está em Santa Catarina, mas a ambição é outra. “A origem é interior de SC, a ambição é global”, resume.
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