França propõe corte de gastos com congelamento de salários e aposentadorias em 2027

A França apresentou nesta quinta – feira (1º) o projeto de Orçamento para 2027, um pacote com medidas duras de contenção de gastos que já geram forte reação nas ruas e no Parlamento. A proposta do governo busca reduzir o déficit público e acalmar investidores preocupados com o endividamento do país, tudo isso às vésperas das eleições presidenciais do ano que vem.
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O plano inclui o congelamento dos salários do funcionalismo público e de quase todas as aposentadorias, além de limites para gastos de governos locais e com saúde. Também prevê a redução de benefícios fiscais para empresas sobre encargos trabalhistas.
Não há, porém, aumento generalizado de impostos para famílias e empresas. Já a sobretaxa extraordinária sobre as maiores companhias francesas, em vigor há dois anos, será reduzida em 30%.
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Economia de 54 bilhões de euros e resistência no Parlamento
O ministro das Finanças, Roland Lescure, afirmou que as medidas representam uma economia total de 54 bilhões de euros, dos quais 43 bilhões seriam obtidos já em 2027. “Este orçamento nos permite retomar o caminho da consolidação por meio de um esforço significativo”, disse.
O primeiro – ministro Sébastien Lecornu enfrenta uma pressão crescente de investidores do mercado de títulos, além da incerteza política antes das eleições e da insatisfação popular com os cortes. Ele afirma que o aperto fiscal é necessário para recolocar o déficit no caminho da redução, algo que seus antecessores não conseguiram fazer diante da ausência de maioria parlamentar desde que Emmanuel Macron convocou eleições legislativas antecipadas em 2024.
O déficit elevado fez a dívida pública francesa bater um recorde desde o fim da Segunda Guerra Mundial, chegando a 119% do PIB no segundo trimestre, segundo o instituto de estatísticas INSEE. O texto do Orçamento deve enfrentar dificuldades no Parlamento, profundamente dividido, enquanto os partidos se posicionam para o que já é considerada uma das eleições mais importantes da história recente da França.
Greve e protestos violentos tomam as ruas
Na terça – feira (29), trabalhadores do setor público fizeram uma greve contra o congelamento de salários. Ao mesmo tempo, uma onda de protestos estudantis contra a falta de recursos nas escolas — com salas superlotadas, prédios deteriorados e escassez de professores — se espalhou pelo país e ganhou contornos violentos.
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Dezenas de pessoas ficaram feridas e centenas foram detidas, a maioria adolescentes. Os protestos e bloqueios alcançaram 356 escolas de ensino médio. Em Lille, a polícia de choque dispersou estudantes que construíram barricadas improvisadas com lixeiras e atearam fogo em algumas delas.
Em Saint – Denis, subúrbio ao norte de Paris, um incêndio foi registrado nos portões de uma escola enquanto policiais observavam. Em Lyon, manifestantes atiraram objetos contra agentes.
O ministro da Educação, Edouard Geffray, afirmou que 119 pessoas, entre estudantes e funcionários, ficaram feridas desde o início das manifestações — a maioria diretores e professores. Já o ministro do Interior, Laurent Nunez, disse que cerca de 625 pessoas foram detidas na quarta – feira (30) e mais de 440 no dia anterior, a maioria menores de idade.
Segundo Nunez, houve ainda sete episódios em que ácido clorídrico foi arremessado contra agentes de segurança.
Governo condena violência, mas reconhece problemas
O governo condenou a violência registrada em algumas manifestações, mas admitiu que os problemas enfrentados pelas escolas precisam ser resolvidos. “As escolas devem estar abertas e compartilhar conhecimento. Elas não devem ser bloqueadas nem ter lixeiras incendiadas”, afirmou o presidente Emmanuel Macron a jornalistas em Madri.
Políticos do partido de esquerda França Insubmissa, incluindo Bally Bagayoko, prefeito de Saint – Denis, participaram dos protestos. Outros partidos acusaram a legenda de usar uma retórica que estaria inflamando os estudantes. Nunez afirmou que grupos de extrema esquerda estariam incentivando a violência, com agitadores passando de uma escola para outra para incitar os alunos.
Gamze, uma estudante de 17 anos de Saint – Denis, resumiu o sentimento de muitos: “Somos sempre nós… que sofremos quando, em Paris ou no interior, eles não estão em uma situação como essa”. Fadila, também de 17 anos, disse à Reuters que há “baratas e ratos por toda parte na escola” e que a temperatura nas salas varia de muito quente a abaixo de zero, dependendo do clima.
Autor(a):
Bianca Lemos
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.



