BrasilAgro reduz áreas de maior risco na safra 2026/27 por causa do El Niño

Estratégia inclui retirar 6 mil a 7 mil hectares do plano, usar culturas de cobertura e concentrar algodão em áreas irrigadas para conter perdas produtivas.

04/09/2026 05:01

4 min

Ilustração de colheitadeiras deixando para trás um rastro com o rosto da nota de real
Ilustração de colheitadeiras deixando para trás um rastro com o ...

A Brasil Agro está revisando o portfólio agrícola para a safra 2026/27, com o objetivo de diminuir os riscos climáticos associados aos efeitos esperados do El Niño no Centro – Sul do país. A empresa pretende reduzir o plantio em áreas mais vulneráveis, ampliar o cultivo de milho e concentrar o algodão em regiões irrigadas.

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O CEO da companhia, André Guillaumon, afirmou que a mudança reúne diferentes medidas de proteção. “Não é uma coisa só. É um somatório de tudo”, disse.

Brasil Agro reduz áreas de maior risco

Entre 6 mil e 7 mil hectares foram retirados do planejamento de cultivo por apresentarem maior vulnerabilidade. Parte dessas áreas será usada com culturas de cobertura. A decisão considera a instabilidade produtiva de terrenos novos, que ainda passam por desenvolvimento e têm menor fertilidade.

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Guillaumon explicou que uma área agrícola consolidada pode perder de 15% a 20% da produtividade durante uma seca. Em áreas de primeiro ou segundo ano, porém, a redução pode ser muito maior. “Você plantar uma soja para perder dinheiro, é melhor você não plantar e plantar uma cobertura”, afirmou.

A companhia também diminuiu sua exposição ao algodão. A cultura exige mais investimento por hectare e, quando as decisões da safra foram tomadas, enfrentava preços pressionados. Por isso, a Brasil Agro decidiu manter o cultivo principalmente em áreas irrigadas, com menor risco de variação na produtividade.

A estratégia evita ampliar a produção de algodão de sequeiro em regiões sujeitas a condições climáticas mais instáveis. “Não vamos nos expor muito ao algodão, porque é uma cultura de custo de capital alto. E você teria a volatilidade climática do El Niño”, disse o CEO.

Chuvas afetam moagem da cana – de – açúcar

Na cana – de – açúcar, a preocupação está concentrada no comportamento das chuvas nos próximos meses. As usinas do Centro – Sul enfrentam atrasos generalizados na moagem, enquanto a umidade mantém a cana com maior peso, mas reduz a concentração de sacarose.

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Na avaliação de Guillaumon, esse cenário pode levar ao encerramento da temporada com um volume maior de cana disponível, porém com matéria – prima menos açucareira. A redução das áreas reformadas pelas usinas também aumentou a oferta, já que os juros elevados e o custo de capital pressionado diminuíram os investimentos na renovação dos canaviais.

“Todo mundo estava trabalhando com uma safra de cana de 625 milhões, 620 milhões de toneladas. De repente, esse número virou 640 milhões”, afirmou. As áreas que não foram reformadas no ciclo anterior continuaram produzindo nesta safra, somando oferta ao sistema.

O resultado foi a combinação de menor reforma, chuvas e atraso no começo da colheita.

Custos e desempenho da safra 2025/26

Para a safra 2026/27, a Brasil Agro também adotou medidas para limitar a alta dos custos. A empresa antecipou a compra de fertilizantes e conseguiu se proteger parcialmente do aumento de alguns insumos.

O CEO citou o MAP, fosfato monoamônico, como exemplo. Parte do produto foi comprada quando o preço estava próximo de US580 por tonelada, enquanto a cotação atual estaria em torno de US 840. Com as compras antecipadas e a maior produção de sementes próprias, a companhia estima que o custo de produção agrícola suba entre 2% e 3% na comparação anual.

Mesmo com dificuldades no balanço, Guillaumon avaliou positivamente o desempenho operacional da safra 2025/26. A produtividade da soja ficou cerca de 2% abaixo do orçamento, mas milho e algodão tiveram resultados acima do planejado. A cana também segue próxima das expectativas da companhia.

“A companhia nessa safra 25/26 está muito melhor do que a safra 24/25”, afirmou. Para o próximo ciclo, a Brasil Agro pretende combinar diversificação de culturas, menor exposição a áreas de risco, irrigação, capacidade operacional e tecnologia, incluindo telemetria e ferramentas de inteligência artificial para apoiar as decisões agrícolas.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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