Formiga Colobopsis cylindrica rompe o próprio abdômen para prender inimigos e proteger o ninho

Chamado de autotise, o comportamento foi observado no Sudeste Asiático e ocorre só em operárias específicas, cuja secreção pegajosa trava o ataque do intruso.

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Formigas explosivas rompem o próprio corpo para tentar proteger a colônia | Foto: Reprodução/Catraca Livre

Uma formiga percebe um inimigo perto do ninho, contrai o abdômen e rompe o próprio corpo. Enquanto a operária morre, a secreção pegajosa que ela libera prende o adversário.

O comportamento, chamado autotise, foi observado em integrantes do grupo Colobopsis cylindrica, no Sudeste Asiático. A espécie-modelo Colobopsis explodens foi descrita como referência em 2018. A imagem da “formiga explosiva” corresponde a um fenômeno real, mas ele não tem nada de detonação como a da pólvora, nem é praticado por todas as formigas.

O que acontece quando a operária se rompe?

Em algumas operárias, glândulas e outras estruturas do corpo guardam secreções de defesa. Quando surge uma ameaça, a contração do abdômen rompe essas estruturas e espalha um material amarelado, pegajoso e irritante sobre o agressor.

O efeito costuma travar o ataque ou atrapalhar os movimentos do intruso. A operária, porém, não sobrevive. Por isso, os pesquisadores dedicam atenção especial a essa forma de defesa.

A reação é bem diferente de uma picada comum ou de um jato de líquido seguido de fuga. O dado também não indica que a formiga tenha decidido “se sacrificar” no sentido humano. Trata-se de um comportamento moldado pela evolução de uma espécie social, em que o desfecho de um confronto depende do que acontece com o ninho e com as demais operárias.

Todas as integrantes da colônia explodem?

Não. As colônias reúnem indivíduos com funções e características diferentes. A autotise foi descrita em operárias específicas, e não como destino de rainhas, larvas ou de qualquer adulto que cruze com um predador.

A identificação de Colobopsis explodens ajuda a estudar o grupo, mas o nome popular também aparece em espécies próximas, que têm diferenças na anatomia e na química. Na prática, a cena pode ser entendida em quatro etapas. Primeiro, a ameaça se aproxima da área defendida.

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Depois, uma operária específica entra em contato com o adversário.

Em seguida, o corpo dela se rompe e libera a secreção pegajosa. Por fim, a operária morre, mas a relação do inimigo com a colônia pode ficar comprometida. Esses elementos pertencem ao campo da pesquisa e não devem servir de roteiro para manipular os animais.

Qual é a vantagem para o ninho?

Uma colônia concentra muitos indivíduos aparentados, que dividem proteção, comida e o cuidado com a prole. Quando uma defesa extrema diminui o perigo para os demais, ela pode ter favorecido essas linhagens ao longo de muitas gerações.

Isso não quer dizer que cada episódio poupe “centenas” de companheiras, contadas uma a uma. A dimensão do benefício muda conforme o contexto de cada ataque.

A divisão de tarefas em outras sociedades de formigas mostra que a colônia funciona como um conjunto. As cortadeiras têm um mecanismo diferente, mas a comparação ajuda a entender por que observar só o destino de uma operária deixa de fora parte da estratégia.

O custo individual e as consequências coletivas caminham juntos nessa evolução.

O que a descrição de 2018 trouxe à pesquisa?

Uma equipe descreveu formalmente Colobopsis explodens e estudou suas operárias, a anatomia e a defesa nas florestas de Bornéu. A descrição organiza diferenças entre espécies que antes podiam ser reunidas de forma ampla, apenas pelo comportamento.

Não é correto dizer que as formigas passaram a existir ou a “explodir” em 2018. O trabalho deu nome e caracterização a uma espécie que já havia sido observada. O estudo também chamou atenção para secreções com propriedades químicas próprias e para a variação entre castas.

Os pesquisadores ainda precisam comparar espécies e condições para descobrir quanto da resposta é comum ao grupo e quanto depende da história evolutiva de cada linhagem. Até lá, o apelido chamativo esconde uma biologia mais específica.

O termo “explosiva” pode induzir ao erro. Ele descreve uma ruptura súbita, mas sugere calor, fogo e onda de choque, que não fazem parte do fenômeno. A defesa funciona sobretudo pelo contato com a substância aderente, e não é uma habilidade de qualquer formiga encontrada no jardim, já que o grupo estudado tem distribuição e anatomia particulares.

Observar esse comportamento na natureza exige cautela. Aproximar-se do ninho pode provocar uma resposta defensiva e interferir nas interações que a pesquisa quer estudar.

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