Debate na Globo: Flávio Bolsonaro deve moderar tom contra Lula, prevê Lucas de Aragão
O cientista político Lucas de Aragão, da consultoria Arko Advice, prevê estratégias diferentes de Flávio Bolsonaro (PL) e Lula no último debate antes do segundo turno, marcado para a sexta-feira (23) na TV Globo. A avaliação foi feita durante o Hora H da quarta-feira (21).
Segundo o analista, a disputa segue acirrada na reta final. Flávio mantém uma ligeira vantagem, mas a campanha de Lula conseguiu movimentar o pleito nas últimas semanas.
Flávio deve moderar o tom no debate da TV Globo
Aragão afirmou que a campanha de Flávio Bolsonaro deve apostar em uma postura mais moderada no encontro. “Pelo que eu falei com a campanha, não vai ser aquele tom tão agressivo, debochado”, declarou.
Mesmo assim, o candidato do PL deve explorar as declarações de Roberta Luchsinger. De acordo com o analista, trackings internos indicam que o assunto teria repercutido negativamente para Lula.
Aragão lembrou ainda que, no debate anterior, promovido pela Band, Flávio conseguiu ditar a pauta e tirou Lula do equilíbrio em vários momentos.
Lula costuma improvisar, diz analista
No caso de Lula, o cientista político apontou uma dificuldade recorrente: o candidato tende a improvisar nos debates e contrariar as orientações dos assessores. “O Lula treina de um jeito e vai para o debate de outro”, observou.
Apesar da tensão prevista, Aragão se mostrou otimista com o conteúdo do confronto final. Para ele, o baixo nível dos embates anteriores, marcados por ataques e sem impacto sobre os indecisos, pode empurrar os dois para uma postura mais propositiva.
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“Talvez a gente veja dois candidatos um pouquinho mais comportados, propositivos para tentar falar com o indeciso”, afirmou.
Estoque de votos desfavorece o PT no segundo turno
Lula largou em desvantagem. “Saiu atrás com 2,2 milhões de votos no primeiro turno”, lembrou Aragão. O analista avalia que os votos disponíveis não favorecem o petista, já que a maioria dos candidatos eliminados tinha um eleitorado mais alinhado ao antipetismo do que ao antibolsonarismo.
Ainda assim, ele reconheceu que a campanha de Lula conseguiu gerar fatos novos. “Ele tem que reduzir a abstenção, principalmente no Nordeste, onde é uma votação mais desequilibrada”, disse.
A estratégia petista também passa por atrair eleitores da chamada terceira via. Entre esse público, Aragão estima uma divisão de 60% para Flávio e 40% para Lula.
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