Flávio Bolsonaro chegou ao segundo turno como moderado, mas desfez a imagem logo após as urnas

Segundo o editor de VEJA José Benedito da Silva, a viagem aos EUA e a carta de teor golpista fizeram o senador perder a liderança da oposição ao governo Lula.

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Flávio e Eduardo Bolsonaro | Foto: Reprodução/Veja

Flávio Bolsonaro pode ter colocado em risco o principal ativo político da campanha presidencial: a imagem de um Bolsonaro mais moderado. A avaliação é do editor de Política de VEJA, José Benedito da Silva, que aponta a mudança de postura do senador após a derrota eleitoral como um dos fatores do seu enfraquecimento.

Em entrevista à apresentadora Marcela Rahal, no programa VEJA em Foco, o jornalista disse que o maior arrependimento de Flávio pode estar ligado ao abandono da estratégia de moderação adotada na disputa. “Ele se esforçou durante a campanha pra tentar construir a imagem de alguém moderado”, afirmou José Benedito.

Para ele, o senador tentou vender-se como uma versão mais branda do bolsonarismo, mas trocou de tom logo após o resultado das urnas.

Por que Flávio pode ter perdido o capital político que conquistou?

Na visão do editor, a candidatura de Flávio atraiu o eleitorado do pai e conquistou apoios que, no início, pareciam improváveis. O senador chegou ao segundo turno com uma votação expressiva e preocupou a campanha petista, segundo o jornalista.

Ainda de acordo com José Benedito, o PL saiu da eleição com a maior bancada da Câmara, a maior do Senado e seis governos estaduais. Pela avaliação dele, Flávio tinha condições de assumir a liderança da oposição ao governo Lula.

Como a saída do país afetou a posição do senador

A decisão de deixar o Brasil, porém, mudou esse quadro. Depois da derrota, Flávio viajou para os Estados Unidos com a família, gesto que, segundo José Benedito, pegou de surpresa aliados próximos e gerou desconforto dentro do PL.

Para o editor de VEJA, o problema não se resumiu à saída do país. Ele citou a resistência do senador em reconhecer o resultado eleitoral e a divulgação de uma carta que classificou como de inspiração golpista. Também lembrou declarações posteriores em que Flávio voltou a falar em uma possível candidatura presidencial.

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Segundo o jornalista, todo o esforço para vender uma direita mais palatável se desfez rapidamente. “Esse esforço que ele teve pra construir uma imagem de uma direita mais moderada, de uma direita mais palatável, virou pó. Virou pó em pouquíssimo tempo”, afirmou.

Ausência de mandato e aproximação do Centrão pesam na liderança

Outro obstáculo apontado por José Benedito é a falta de mandato parlamentar. Sem cadeira no Congresso, Flávio teria menos instrumentos para manter contato direto com deputados, senadores, governadores e outras lideranças da direita.

O editor também viu risco na possível aproximação do Centrão com o governo Lula, movimento que deixaria o PL mais isolado no Legislativo. Segundo ele, os partidos desse bloco costumam se aproximar de quem está no poder, o que reduz o espaço de articulação da oposição.

“Eu acho, sinceramente, muito difícil que ele consiga, a partir dos Estados Unidos, liderar essa oposição”, afirmou.

Michelle Bolsonaro e a disputa por protagonismo na família

Para José Benedito, a decisão de Flávio ainda pode produzir efeitos dentro do próprio grupo familiar. Ele observou que o fortalecimento político de Michelle Bolsonaro, que conquistou um mandato de oito anos no Senado, pode alterar a distribuição de forças entre os Bolsonaro.

A pergunta sobre uma direita sem Bolsonaro, na avaliação do jornalista, tende a ganhar espaço à medida que outras lideranças assumam posições de protagonismo. Nesse cenário, ele considera que o maior arrependimento de Flávio pode ser ter desperdiçado a chance de consolidar uma liderança nacional justamente quando ampliava seu espaço político.

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