Fachin cria filtro para impedir que terceiros escolham relator no STF

Fachin edita resolução que exige validação técnica de petições de terceiros antes de anexá-las a processos em andamento.

Edson Fachin em sessão do STF em 15 de setembro

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, publicou uma resolução nesta sexta – feira (2) que muda a forma como terceiros podem apresentar pedidos em processos que já tramitam na Corte. A medida tem um objetivo claro: impedir que alguém de fora do processo tente “escolher” o ministro que vai analisar a sua solicitação.

Com a nova regra, qualquer petição feita por uma pessoa ou entidade que não seja parte oficial do processo precisará passar por uma validação técnica antes de ser anexada aos autos. Essa análise será feita por uma equipe da presidência do STF, que vai decidir se o pedido tem relação direta com o que já está sendo julgado.

Como vai funcionar a nova regra do STF

Na prática, a resolução cria um filtro para evitar que terceiros usem ações já em andamento para direcionar suas demandas a um relator específico. Se a equipe técnica entender que o novo pedido não tem ligação com o processo original, ele não será simplesmente incluído naquele caso.

Nessa situação, a petição será protocolada como um processo novo e independente. A partir daí, ela será distribuída por sorteio entre todos os ministros do STF ou, em alguns casos, por prevenção — ou seja, seguindo as regras de distribuição que já existem para ações iniciais.

O objetivo é garantir que a aleatoriedade e a imparcialidade na escolha do relator sejam preservadas.

A decisão de Fachin busca coibir uma prática conhecida como “juiz de plantão”, na qual partes interessadas tentam vincular pedidos a processos com relatores que consideram mais favoráveis às suas teses. A resolução publicada nesta sexta – feira (2) estabelece um procedimento padrão para lidar com esses casos.

Contexto e repercussão da medida

A medida de Edson Fachin foi tomada em um momento de grande atenção sobre o funcionamento interno do STF. A Corte tem lidado com um volume crescente de petições de terceiros, muitas vezes em casos de alta repercussão política e social. A resolução tenta trazer mais previsibilidade e transparência para esse fluxo de documentos.

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Segundo o STF, a nova regra não impede que qualquer cidadão ou entidade apresente suas demandas ao tribunal. O que muda é a forma como esses pedidos serão processados. A validação prévia feita pela equipe da presidência será o primeiro passo para definir o destino de cada petição.

A resolução já está em vigor desde a publicação, nesta sexta – feira (2). O texto completo do ato normativo foi divulgado no Diário de Justiça Eletrônico do STF. A expectativa é que a medida reduza o número de incidentes processuais e agilize a análise dos casos que realmente têm relação com os processos em andamento.