Brasil informa França e Alemanha sobre suposta interferência de EUA e Rússia nas eleições

Uma delegação conjunta da França e da Alemanha esteve em Brasília no início de setembro para receber informações da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) sobre suposta interferência dos Estados Unidos e da Rússia no processo eleitoral brasileiro.
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A visita, que não havia sido divulgada até agora, foi revelada por fontes e documentos analisados pela Reuters.
De acordo com um relatório das reuniões elaborado por um dos participantes, os agentes da Abin“confirmaram a existência de interferência tanto dos Estados Unidos quanto da Rússia”. Sobre a ação americana, os funcionários da inteligência brasileira afirmaram que ela variou “de ações judiciais até”, sem dar mais detalhes.
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A suposta interferência russa também não foi detalhada no documento.
Alerta para as eleições de 2026
A troca de informações ocorre em um momento de acirramento da corrida eleitoral no Brasil. O primeiro turno está marcado para este domingo (3), com o presidente em uma disputa dura contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Para os europeus, o caso brasileiro serve como um sinal de alerta.
Autoridades francesas, onde a candidata Marine Le Pen lidera as pesquisas, veem a eleição no Brasil como um possível prenúncio do que pode acontecer na própria eleição presidencial da França no ano que vem. Já na Alemanha, onde o partido de extrema direita AfD (Alternativa para a Alemanha) venceu em dois estados no mês passado, o governo critica abertamente o apoio do presidente americano Donald Trump à legenda.
O apoio explícito de Trump a candidatos de direita ao redor do mundo tem gerado um debate sobre os limites entre diplomacia e interferência estrangeira. Os EUA, por exemplo, ofereceram um pacote de ajuda de US 40 bilhões (cerca de R 207 bilhões) para o presidente argentino Javier Milei antes das eleições legislativas no país.
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O vice – presidente americano, JD Vance, também viajou à Hungria para apoiar Viktor Orbán em sua tentativa de reeleição.
Delegação europeia e segurança cibernética
A visita das delegações francesa e alemã ocorreu entre os dias 9 e 11 de setembro como parte de uma missão da União Europeia. O objetivo oficial era discutir a implementação da DSA (Lei de Serviços Digitais), que obriga plataformas online a combater conteúdos ilegais.
Os EUA criticam a DSA, acusando – a de mirar injustamente as big techs americanas.
Documentos obtidos pela Reuters mostram que um dos objetivos da delegação era “preparar respostas coordenadas antes das eleições de 2026”. A equipe francesa era composta por integrantes da Viginum, órgão de detecção de desinformação estrangeira, e da Arcom, reguladora de mídia.
Já a delegação alemã contou com representantes da Agência Federal de Redes, que regula telecomunicações e energia.
Uma autoridade brasileira de alto escalão da área de segurança cibernética, que participou da reunião e falou sob anonimato à Reuters, afirmou que o número de ataques cibernéticos no Brasil quase dobrou em relação a 2025. A fonte também relatou um aumento expressivo de invasões e tentativas de phishing contra a Presidência da República, o que, segundo ele, está “claramente relacionado às eleições”.
Procurados pela Reuters, o Departamento de Estado americano, a Abin e a embaixada da Rússia no Brasil não comentaram o assunto. O governo russo já negou anteriormente ter interferido em eleições de outros países.
Autor(a):
Sofia Martins
Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.


