Exportações do agro para os EUA caem 26,7% em 2026, mas vendas a outros mercados crescem 9,5%

O agronegócio brasileiro enfrenta um cenário de reajuste no comércio internacional. Dados do Monitor do Comércio Brasil Estados Unidos, levantados pela Amcham, indicam que, de janeiro a agosto de 2026, as vendas do setor para os americanos caíram 26,7%.
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Em contrapartida, as exportações para outros destinos cresceram 9,5% no mesmo intervalo.
A retração no mercado dos Estados Unidos tem relação direta com a guerra tarifária entre os dois países. A aplicação de taxas extras sobre produtos brasileiros afetou o fluxo comercial, mas o impacto não é uniforme — varia conforme o item negociado.
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Carne bovina escapa da retração
Um dos casos mais emblemáticos é o da carne bovina fresca. Entre janeiro e agosto, o Brasil embarcou US 1,458 bilhão do produto para os Estados Unidos. O valor representa um crescimento de 62,2% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
O volume enviado subiu 37,2%, enquanto o preço médio avançou 18,2%.
O desempenho de agosto foi ainda mais expressivo. Naquele mês, as exportações de carne bovina fresca para os EUA somaram US 182,2 milhões. A alta foi de 385,1% em valor e de 389,8% em quantidade. Os números mostram que, mesmo com um ambiente comercial mais hostil, alguns segmentos conseguem não só se manter como ampliar a presença no mercado americano.
Fora dos Estados Unidos, o movimento também foi positivo. No acumulado até agosto, as vendas brasileiras de carne bovina fresca para outros países cresceram 18,1% em valor.
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Diversificação de mercados como estratégia
Esse desempenho reforça a importância de não depender de um único comprador. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) tem feito esse movimento uma prioridade. Desde 2023, a pasta já abriu 678 novos mercados para o agro brasileiro. A meta é encerrar 2026 com 700 novos destinos conquistados.
Para o produtor rural, os efeitos dessa estratégia podem aparecer de forma indireta em toda a cadeia. A abertura e a consolidação de novos mercados elevam a exigência sobre fatores como produtividade, qualidade, sanidade, logística e capacidade de processamento.
O Brasil, que já tem uma das maiores cadeias de produção de alimentos do mundo, segue ampliando sua relevância global.
Os dados do Monitor mostram, no entanto, que aumentar as exportações não significa vender mais para todos os mercados ao mesmo tempo. O desafio do agronegócio é transformar essa diversificação em uma estratégia permanente. O setor precisa conquistar novos compradores, agregar mais valor aos produtos e reduzir a vulnerabilidade às oscilações de um único parceiro comercial.
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



