EUA investigam concentração no mercado de carne bovina e criticam frigoríficos brasileiros

JBS, MBRF, Cargill e Tyson controlam cerca de 85% do processamento no país.

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Foto: Reuters
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Investigação sobre práticas anticompetitivas no mercado de carne bovina nos EUA

Autoridades americanas expressaram preocupações sobre possíveis práticas anticompetitivas no setor de carne bovina dos Estados Unidos, especialmente em relação à forte presença de empresas brasileiras entre os principais processadores do país.

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A coletiva de imprensa ocorreu na segunda-feira (4), em meio a investigações que analisam a concentração do mercado e seus efeitos sobre os preços e a cadeia produtiva.

O procurador-geral interino, Todd Blanche, destacou que o Departamento de Justiça está priorizando a investigação de possíveis violações das leis antitruste, seguindo uma determinação presidencial de novembro de 2025. Ele mencionou que os quatro maiores processadores de carne bovina — JBS, MBRF, Cargill e Tyson Foods — controlam aproximadamente 85% do mercado de processamento nos Estados Unidos, o que indica um elevado nível de concentração e possíveis condutas anticompetitivas.

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Detalhes da investigação

A investigação abrange a análise de mais de 3 milhões de documentos, além de entrevistas com pecuaristas, produtores e processadores. Blanche afirmou: “Usaremos todas as ferramentas disponíveis de aplicação da lei para aplicar rigorosamente as leis antitruste, garantindo que todos os aspectos da indústria agrícola concorram em condições justas.” Como parte das medidas, foi anunciada a oferta de recompensas financeiras para denunciantes, que podem chegar a até 20% dos valores recuperados em ações judiciais.

Blanche também antecipou que um acordo considerado “histórico” será divulgado em breve, com impacto direto nos preços de proteínas como frango, carne suína e peru. Ele ressaltou que o modelo de negócios de algumas empresas tem permitido a troca de informações sensíveis entre concorrentes, o que pode afetar os preços no setor.

Queda no rebanho e impacto no setor

A secretária de Agricultura, Brooke Rollins, destacou que o rebanho bovino dos Estados Unidos atingiu níveis “historicamente baixos”. Em 1º de janeiro, o país contava com 86,2 milhões de cabeças de gado e bezerros, o menor número desde a década de 1950, com previsão de nova queda ao longo de 2026.

Rollins informou que mais de 17% dos pecuaristas e mais de 100 mil fazendas foram perdidos na última década.

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Ela alertou que a diminuição no número de produtores limita as opções de venda de gado, enfraquece o poder de negociação dos pecuaristas e aumenta a dependência de poucos compradores. A secretária também mencionou a influência significativa dos quatro maiores processadores sobre o mercado.

Rollins ressaltou a preocupação com a presença de empresas de controle estrangeiro, destacando que duas das maiores companhias de carnes têm origem brasileira.

Segundo ela, a atuação dessas empresas levanta questões sobre a produção nacional, a estrutura do mercado e os preços, representando uma ameaça não apenas à produção de gado, mas também à economia americana. “Uma empresa brasileira detém cerca de 25% do mercado e tem um histórico documentado de corrupção internacional e atividades ilícitas”, afirmou Rollins, enfatizando que a propriedade estrangeira de frigoríficos está associada a problemas como corrupção e cartéis.

As autoridades informaram que as investigações continuam e novas medidas poderão ser anunciadas conforme o progresso das apurações. As empresas JBS e MBRF não se manifestaram.

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