EUA incluem 30 mil não cidadãos em listas eleitorais por erro de software
Erro de software incluiu 30 mil não cidadãos em listas eleitorais dos EUA desde 2000, mas especialistas descartam impacto real nas urnas.
Mais de 30 mil pessoas que se declararam não cidadãs podem ter sido incluídas nos cadernos eleitorais dos Estados Unidos desde o ano 2000. O motivo, segundo registros oficiais analisados pela Reuters, são falhas de software e erros administrativos no processamento de pedidos de carteira de motorista e documentos de identidade estaduais.
Os casos foram identificados em uma dúzia de Estados governados tanto por democratas quanto por republicanos. Especialistas ouvidos pela reportagem, no entanto, avaliam que pequeno diante dos mais de 170 milhões de eleitores registrados no país, o que torna improvável qualquer impacto real nas eleições.
A Reuters não conseguiu determinar quantas dessas pessoas chegaram a votar.
Falhas burocráticas e não fraudes
As descobertas sugerem que o problema central não é uma ação coordenada, mas sim erros burocráticos involuntários. Isso coloca em dúvida a eficácia de projetos legislativos que exigem comprovação de cidadania no momento do registro eleitoral como solução para o problema.
O ex – presidente Donald Trump e seus aliados têm afirmado, sem apresentar provas, que o voto de não cidadãos é um fenômeno generalizado e parte de uma conspiração organizada pelos democratas. A alegação ganha força às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro, quando os republicanos pressionam por regras mais rígidas para votar.
O caso de Nova Jersey e outros Estados
O episódio mais recente e de grande repercussão ocorreu em Nova Jersey. Durante o verão norte – americano, o Estado informou que uma falha tecnológica incluiu cerca de 6,6 mil não cidadãos nas listas eleitorais entre junho de 2023 e junho de 2024.
Essas pessoas haviam respondido “não” quando questionadas sobre serem cidadãs ao solicitar habilitação ou identidade.
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Além de Nova Jersey, erros burocráticos foram relatados em pelo menos outros 11 Estados. Entre eles estão redutos republicanos como Iowa, Texas e Dakota do Sul. Com esses registros, o número nacional ultrapassa 30 mil desde 2000, segundo o levantamento da Reuters.
Até então, não havia um balanço nacional sobre esse tipo de erro. A agência de notícias usou dados do Center for Election Innovation & Research, uma organização sem fins lucrativos que monitora denúncias de registro e votação de não cidadãos, para identificar os Estados com ocorrências.
A Reuters confirmou os números com autoridades locais, registros judiciais e reportagens da imprensa regional.
Os dados apontaram erros na Califórnia, Illinois, Iowa, Nevada, Ohio, Oregon, Pensilvânia, Dakota do Sul, Texas, Utah e Virgínia. A Reuters ressalta que os números são imprecisos, já que os dados estaduais costumam ser provisórios e sujeitos a revisão.
Especialistas apontam falha na origem
Para Don Palmer, pesquisador jurídico sênior para integridade eleitoral na conservadora Heritage Foundation e ex – presidente da Comissão de Assistência Eleitoral dos EUA nomeado por Trump, esses erros são provavelmente a principal razão pela qual não cidadãos acabam nas listas eleitorais do país. “Acho que essa é a questão principal”, afirmou Palmer.
“Os órgãos responsáveis pela emissão de carteiras de motorista frequentemente cometem erros e, muitas vezes, não levam isso tão a sério quanto as autoridades eleitorais”, completou. Para ele, os Estados precisam se empenhar mais para verificar a elegibilidade dos eleitores.