Ensete, a “árvore contra a fome”, é cultivada só na Etiópia e pode alimentar milhões

Ensete, cultivado há séculos na Etiópia, é resistente à seca e pode ser colhido o ano todo, mas enfrenta barreiras para expansão global.

30/09/2026 00:11

2 min

Há pouco apetite pelo fruto com sementes do ensete
Há pouco apetite pelo fruto com sementes do ensete

Uma planta gigante que se parece com uma bananeira, mas que não é bem uma banana, está chamando a atenção de cientistas como uma possível arma contra a fome. Conhecido como ensete, o vegetal é um alimento básico para milhões de pessoas na Etiópia, mas segue praticamente desconhecido fora do país.

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A planta, que pode atingir mais de 10 metros de altura, é cultivada há séculos no sul da Etiópia. Apesar do tamanho imponente, sua presença mundial ainda é relativamente pequena, segundo James Borrell, do Royal Botanic Gardens, Kew.

O que é o ensete e por que ele importa

O ensete está entre as mais de 6 mil espécies de plantas encontradas na Etiópia. Diferente da banana comum, o fruto do ensete tem sementes e há pouco apetite por ele — o que se come, na verdade, é o caule e a raiz da planta.

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O processo de transformar o ensete em alimento é trabalhoso: o caule é raspado, fermentado e depois transformado em uma espécie de pão ou mingau. A planta é resistente à seca e pode ser colhida em qualquer época do ano, o que a torna uma fonte confiável de comida em regiões de clima instável.

Pesquisadores acreditam que o ensete tem potencial para ser cultivado em outras partes da África e até em outros continentes. A pergunta que fica, segundo Borrell, é: “Você sabia que isso é comestível?” — uma provocação para despertar o interesse global pela espécie.

Desafios para a expansão do cultivo

Apesar do potencial, o ensete enfrenta barreiras. Fora da Etiópia, a planta é praticamente desconhecida, e não há uma cadeia produtiva estabelecida para seu processamento e comercialização. O gosto e a textura do alimento também são diferentes do que a maioria das pessoas está acostumada, o que pode dificultar sua aceitação.

Outro ponto é que o ensete leva de 4 a 5 anos para ficar pronto para a colheita, um ciclo longo se comparado a outras culturas. Ainda assim, para comunidades que sofrem com a escassez de alimentos, o investimento pode valer a pena. Cientistas agora buscam formas de adaptar a planta a diferentes solos e climas, na esperança de transformar o “gigante adormecido” em uma solução alimentar global.

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Autor(a):

Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.

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