Engenheira brasileira sobrevoou Rio soltando panfletos pelo voto feminino e virou pioneira
Carmen Portinho, primeira engenheira e urbanista do Brasil, foi reconhecida como patrona do urbanismo em 2022.
Engenheira, urbanista e feminista antes mesmo de o termo se popularizar no Brasil. Carmen Velasco Portinho ( quebrou uma série de barreiras ao longo do século 20 e, em 2022, foi oficialmente reconhecida como a patrona do urbanismo no país.
Mato – grossense, ela foi a primeira brasileira a obter o título de urbanista.
Formada em Engenharia em 1925 pela antiga Universidade do Brasil, Carmen começou a se envolver com pautas sociais após ingressar na Diretoria de Obras e Viação da prefeitura do Rio de Janeiro. Uma de suas primeiras conquistas foi conseguir lecionar no Colégio Dom Pedro II, até então um internato exclusivamente masculino.
Luta pelo voto feminino e fundação de associações
Carmen Portinho foi peça – chave na conquista do voto feminino no Brasil, ao lado de Bertha Lutz (. Em uma ação ousada, ela sobrevoou a capital fluminense soltando panfletos de dentro de um avião para divulgar informações sobre o sufrágio.
O gesto foi um marco na campanha pelo direito ao voto em eleições políticas.
Para organizar a luta das mulheres, ela fundou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino em 1922, a União Universitária Feminina em 1930 e a Associação Brasileira de Engenheiras e Arquitetas em 1937. O objetivo era claro: defender o acesso das mulheres ao ensino superior, ao mercado de trabalho e a espaços de poder, que até então eram dominados por homens.
Já em 1987, aos 84 anos, Carmen reforçou seu ativismo ao entregar a Carta das Mulheres aos constituintes. O documento ajudou a garantir direitos que foram incorporados à nova Constituição, promulgada no ano seguinte.
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Obras e legado na arquitetura carioca
A atuação de Carmen não se limitou às pautas feministas. Ela teve um papel decisivo na arquitetura moderna de serviços essenciais no Rio de Janeiro. Depois de estagiar na Europa, criou e dirigiu o Departamento de Habitação Popular da cidade.
Ela também foi a responsável por viabilizar a construção do MAM (Museu de Arte Moderna) do Rio. No canteiro de obras, era a única mulher entre 450 homens. Além disso, comandou por 20 anos a Escola Superior de Desenho Industrial, a primeira do segmento na América Latina.
Na pós – graduação em urbanismo, Carmen elaborou um anteprojeto em formato de transatlântico para o que viria a ser uma futura cidade, baseada nos conceitos do urbanismo moderno — antes mesmo que a ideia de um projeto aeroportuário fosse levada adiante.
A história de Carmen Portinho é preservada e contada pela ANE Brasil (Academia Nacional de Engenharia) e pelo IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil). Ela morreu em 2001, mas seu nome foi imortalizado 21 anos depois, em 30 de novembro de 2022, quando foi declarada patrona do urbanismo no Brasil.