Enem 2026: professores dizem que chutar compensa mais do que deixar questão em branco

Na prova do Enem, que será aplicada nos dias 8 e 15 de novembro, muitos candidatos vão se deparar com questões que não sabem responder. A dúvida clássica é se vale a pena chutar ou deixar a questão em branco. Professores ouvidos pela CNN Brasil dizem que a resposta em branco quase sempre sai perdendo.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Vanessa Santos, gerente de projetos educativos e avaliação educacional do Poliedro, explica que deixar a questão sem resposta elimina qualquer chance de acerto. Na correção pela Teoria de Resposta ao Item (TRI), uma questão em branco pesa exatamente o mesmo que uma resposta errada.
Como a TRI avalia os chutes
Segundo Vanessa, a TRI analisa o padrão de respostas do estudante, e não apenas a quantidade de acertos. Ela explica que o sistema não consegue distinguir se o candidato acertou por domínio do conteúdo ou por sorte.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
“A TRI não é nenhuma bola de cristal. O que ela faz é analisar a consistência do conjunto das suas respostas”, diz a profissional.
Na dúvida, ela recomenda tentar resolver a questão, eliminar alternativas e deixar para depois as que estiverem mais difíceis. Se a dúvida persistir, o melhor é escolher a alternativa mais adequada. “Entre uma chance de acertar e nenhuma chance, melhor ficar com a primeira opção.”
Leonardo Monteiro, gerente sênior de ensino da Fundação Bradesco, reforça a mesma linha. Ele avalia que uma resposta com peso menor é melhor do que zerar a questão. Para ele, descartar opções claramente erradas já aumenta bastante a chance de acerto.
“Muitas vezes o aluno acha que não sabe nada da questão, mas consegue descartar duas opções absurdas, e aí a chance de acertar já sobe bastante”, avalia.
Reserve os últimos minutos para o cartão-resposta
Leonardo também dá um conselho prático para o fim da prova. Segundo ele, o candidato deve reservar os últimos 15 ou 20 minutos para preencher o cartão-resposta.
“Todo ano tem gente que sabia a matéria e saiu da sala com questões em branco porque o tempo acabou”, alerta o profissional.
Enunciados e armadilhas na interpretação
Muitos textos-base das questões podem causar confusão. Por isso, antes de responder, o aluno precisa ler e reler o enunciado com atenção, já que um erro de interpretação costuma vir da falta de atenção.
Vanessa Santos chama a atenção para textos, gráficos e tabelas que podem esconder armadilhas. “Não adianta saber a resposta para uma pergunta que não foi feita”, explica. Na prática, muitos candidatos respondem algo parecido com o que foi perguntado, mas não exatamente o que a prova pede.
A educadora também cita as questões testlet, que estrearam no Enem em 2025. Nesse formato, um mesmo texto-base serve para responder a diferentes perguntas, e o estudante pode aproveitar uma única leitura para resolver mais de uma questão. Para isso, ela sugere começar pelo comando: o que a questão realmente quer saber?
Leonardo Monteiro lembra que o Enem avalia se o aluno consegue usar o que aprendeu em situações reais. Por isso, quase toda questão traz um texto, gráfico, charge ou tirinha. “Para quem não tem o hábito de ler, isso cansa e consome tempo, principalmente no segundo dia, quando a cabeça já está pesada”, declara.
Não sabe a resposta? Deixe para depois
Uma prova longa e cheia de interpretação pode cansar. Ainda assim, ter uma estratégia para resolver o máximo de questões faz diferença no resultado. Vanessa explica que uma questão difícil para a maioria pode ser tranquila para alguém com mais domínio do tema.
Ela recomenda responder primeiro as perguntas mais fáceis e pular as difíceis sem culpa. “Vale a pena gastar dez minutos em uma única questão e, por causa disso, deixar de responder outras três que você sabia fazer? Não vale”, afirma.
Segundo Vanessa, a dificuldade de uma questão não muda de um candidato para outro. Na TRI, ela é um parâmetro estatístico fixo, definido na pré-testagem do item. Se a questão tem dificuldade 700, esse valor vale para todo mundo.
Leonardo Monteiro afirma que acertar questões fáceis e médias sustenta a nota na TRI. Ele sugere dividir a prova em duas partes. “Minha recomendação é fazer a prova em duas partes: na primeira, resolver tudo o que é tranquilo e marcar as questões que pareceram difíceis; na segunda, voltar a elas com calma”, diz.
O educador também aconselha uma pausa para ir ao banheiro e respirar antes de voltar às questões mais difíceis. “Muitas vezes, depois de uma hora de prova, o aluno está mais aquecido e aquela questão que parecia impossível no começo se resolve em dois minutos. Só não pode esquecer de voltar.”
Para não deixar nenhuma questão para trás, a recomendação é marcar no caderno as perguntas puladas e reservar tempo para passar o gabarito. “Faça uma marquinha no caderno de questões para não deixar nenhuma para trás e não se esqueça de organizar o tempo para o preenchimento do gabarito”, conclui Leonardo.
Editoria:
Redação Saúde e Educação
A Redação Saúde e Educação reúne a cobertura do Clique Fatos sobre saúde, bem-estar e educação. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].



