Caneta de semaglutida da EMS chega às farmácias na sexta; kit com três sai por R$ 999

O SemaClique, da Brace Pharma, permite ajustar a dose semanal com cliques e entra na disputa aberta pelo fim da patente da semaglutida no Brasil, em março.

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SemaClique | Foto: Reprodução/Exame

A Brace Pharma, farmacêutica do Grupo EMS, lançou o SemaClique, caneta de semaglutida fabricada no Brasil. O anúncio foi feito na sexta-feira, 6, e o produto deve chegar às farmácias a partir de sexta-feira.

O preço sugerido é de R$ 464,81 por unidade. Quem comprar três canetas paga R$ 333 em cada uma, ou R$ 999 pelo conjunto.

Como funciona a caneta e o ajuste de dose

Segundo a companhia, o aplicador semanal oferece várias dosagens, que são selecionadas com cliques. Na prática, o médico consegue alterar a dose durante o tratamento sem que o paciente precise trocar de apresentação a cada ajuste.

Com o novo produto, a empresa amplia sua atuação na área de saúde cardiometabólica. Marcelo Neri, diretor executivo do Grupo EMS responsável por Brace Pharma, Ofta e USK, avalia que o fim da patente criou espaço para mais concorrentes no país. “O fim da patente da semaglutida abriu um novo ciclo competitivo no mercado brasileiro e criou uma oportunidade estratégica importante para a Brace Pharma”, afirma o executivo.

Preço e ajuste de dose são vistos como entraves

A farmacêutica aponta dois pontos que podem levar o paciente a abandonar o tratamento: o custo e a adaptação às doses. De acordo com a empresa, enjoos e outros desconfortos gastrointestinais na fase de titulação, quando a dose sobe de forma gradual, podem fazer o paciente parar de usar o medicamento.

Para medir o peso do custo, a companhia usou um levantamento feito com 1.067 médicos. Pela avaliação dos entrevistados, somente 28% dos pacientes aptos ao tratamento conseguiriam arcar com a terapia. “O paciente já lida com rotinas complexas e custos elevados. Nossa preocupação é facilitar essa jornada, tornar a adesão menos confusa e mais viável”, diz Neri.

Novas canetas ampliam disputa entre farmacêuticas

O SemaClique entra em um mercado que recebeu vários lançamentos de canetas de semaglutida em 2026. Com o fim da patente da molécula no Brasil, em março, outras empresas passaram a disputar espaço com os produtos da Novo Nordisk, fabricante de Ozempic e Wegovy.

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Em junho, a EMS começou a vender o Ozivy, com preço a partir de R$ 452 por caneta. Em setembro, a Hypera Pharma lançou o Semavy com uma condição comercial parecida com a do programa de fidelidade da EMS: três unidades por R$ 999, o que equivale a R$ 333 por caneta.

A briga passa por preço, distribuição nas farmácias e programas de relacionamento com os pacientes.

Os resultados da Hypera já refletem a chegada do Semavy. Segundo dados da IQVIA divulgados pela companhia, o medicamento vendeu cerca de 93 mil unidades em setembro e chegou a mais de 11% do mercado brasileiro de semaglutida injetável no mês de estreia.

Outros fabricantes também conseguiram registros ao longo do ano.

Até o fim de outubro, a Anvisa tinha aprovado 20 novos medicamentos injetáveis à base de semaglutida e liraglutida, voltados a diabetes e obesidade. A aprovação, no entanto, não garante que o produto esteja imediatamente à venda. Cada medicamento também precisa de registro específico para cada indicação, e nem toda caneta conhecida como “emagrecedora” é aprovada para tratar obesidade.

Ações reagem a resultados das fabricantes

No exterior, a disputa entre Eli Lilly e Novo Nordisk também chegou aos remédios orais. A Lilly lançou o Foundayo, à base de orforgliprona, nos Estados Unidos no segundo trimestre de 2026. A Novo Nordisk ampliou a distribuição da versão em comprimido do Wegovy.

Na Bolsa, os papéis tiveram desempenhos diferentes. As ações da Eli Lilly subiram 6,6% no pregão em que a empresa divulgou resultados trimestrais, no fim de outubro, e fecharam no recorde de US$ 1.373,70, depois de a companhia elevar suas projeções anuais.

Já a Novo Nordisk chegou a avançar 6,6% durante o pregão de quarta-feira, 4 de novembro, após revisar suas perspectivas para 2026, com vendas do Wegovy oral acima das estimativas.

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