Cuba ficou três meses sem petróleo e já se prepara para invasão dos EUA, diz embaixador
O governo de Cuba considera real o risco de uma invasão da ilha pelos Estados Unidos sob o comando de Donald Trump, afirmou o embaixador cubano no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, em entrevista à Agência Brasil. Segundo ele, o país se prepara para uma eventual agressão militar.
Na conversa, o diplomata disse que o governo e a população não podem ignorar as intenções americanas. “O povo cubano se prepara hoje para uma invasão real dos EUA. O governo e o povo cubanos não podem ignorar as pretensões dos EUA de uma invasão a Cuba. Isso é real”, afirmou.
Havana pede que imprensa internacional não aceite invasão
O embaixador afirmou que Havana tem feito apelos à comunidade e à imprensa internacionais para que não aceitem uma ação militar contra a ilha. “Não é possível normalizar uma agressão militar contra Cuba”, declarou.
Palomo também sustentou que a maioria da população cubana defende a soberania do país e resistiria a uma eventual ocupação estrangeira. Ele lembrou que a ilha tem tradição de luta e de preparação da população para enfrentá-la, algo que, na visão dele, os EUA não deveriam desconsiderar.
Sanções e bloqueio energético atingem turismo e voos
Desde janeiro de 2025, quando Trump voltou à Casa Branca, Washington ampliou a pressão sobre Havana com uma sequência de sanções. Uma delas é o bloqueio energético, com ameaças a países que vendam petróleo à ilha. Na prática, Cuba ficou três meses sem receber qualquer carregamento de petróleo.
As restrições também reduziram os voos internacionais para Cuba e levaram empresas hoteleiras estrangeiras a deixar o país. A empresa de cartões Visa também saiu do mercado cubano, o que pesa sobre o turismo, principal setor da economia local.
Trump fez declarações em tom variado sobre a ilha. Em março deste ano, ele disse que teria a “honra de tomar Cuba”. Em outubro, afirmou que os EUA iriam “cuidar de Cuba” depois de lidarem com o Irã, atacado por EUA e Israel em uma guerra iniciada em fevereiro.
Em outra fala, defendeu ser possível chegar “a um acordo” com Havana. “Não acho que precisaremos das forças armadas”, disse.
Casa Branca classifica Cuba como ameaça aos EUA
Em janeiro deste ano, a Casa Branca classificou Cuba como uma “ameaça incomum e extraordinária” aos Estados Unidos. Segundo o governo americano, a ilha abriga adversários de Washington e tenta roubar informações sensíveis de segurança nacional.
Já o secretário de Estado Marco Rubio, filho de família cubana, endureceu o discurso contra o presidente Miguel Díaz-Canel. Em coletiva de imprensa, em setembro deste ano, ele afirmou que farão o possível para iniciar um processo de mudança em Cuba, mas que ele não será fácil.
Nas últimas semanas, o Departamento de Estado americano também anunciou nova sanção contra empresas de “tecnologias sensíveis” com relação com a ilha. Neste mês, a Justiça dos EUA decretou a prisão do ex-presidente cubano Raúl Castro.
Embaixador vê genocídio em eventual ataque e alerta para a região
Para Palomo, uma agressão militar americana contra Cuba seria um genocídio, por se tratar de uma potência nuclear atacando um pequeno país situado a 90 milhas de distância. O diplomata também considera a posição geográfica da ilha complicada para os EUA.
Ele afirmou que uma invasão levaria os cubanos que vivem nos Estados Unidos a se voltar contra o governo Trump. “Eles não têm guerras em suas fronteiras há muito tempo. Uma guerra em Cuba vai afetar toda a região. Uma guerra em Cuba pode começar, você não sabe como vai terminar”, alertou.
Bloqueio econômico é apontado como entrave ao desenvolvimento
O aperto econômico faz parte de uma nova ofensiva dos EUA para derrubar o governo do Partido Comunista, que há mais de seis décadas contesta a hegemonia política de Washington na América Latina.
O embaixador reconheceu que a ilha enfrenta problemas, como outros países, mas disse que a nação é impedida de se desenvolver pelo bloqueio econômico imposto pelos EUA. “Nós cubanos temos problemas, mas os cubanos têm o direito de resolver os próprios problemas por vontade própria. Não por uma agressão militar. Esse não é o caminho”, disse.
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