Elena Landau critica “função social” de estatais e aponta falhas de gestão em entrevista à CNN
Elena Landau alerta que a visão de “função social” das estatais encobre falhas de gestão, destacando a crise dos Correios como exemplo crítico da situação.
Em uma análise contundente sobre as estatais brasileiras, a economista Elena Landau criticou a ideia de que essas empresas devem ter uma “função social”, afirmando que esse conceito encobre falhas de gestão. A declaração foi feita durante entrevista ao CNN Prime Time, onde ela abordou os déficits recorrentes enfrentados por estatais sob governos do Partido dos Trabalhadores (PT.
Landau argumenta que o PT defende a premissa de que uma estatal não precisa gerar lucro, o que, segundo ela, se tornou uma justificativa para a má gestão. “É uma visão de que estatal tem uma suposta função social, e esse é um cobertor para qualquer falha de gestão”, disse.
Ela também ressaltou que essa mentalidade não é pontual, mas sim estrutural, se desenvolvendo ao longo do tempo.
O exemplo dos Correios
A economista destacou os Correios como um caso emblemático dessa problemática. Para ela, a empresa já acende um sinal vermelho há tempos, sem que o governo tenha apresentado soluções efetivas. “Infelizmente, desse governo acabou até com a marca dos Correios, que era algo tão importante para o povo brasileiro — o Sedex, a marca dos Correios”, lamentou.
Landau levantou dúvidas sobre a viabilidade da privatização dos Correios devido à imensa dívida acumulada pela empresa. “O caso dos Correios é completamente inviável à essa altura do campeonato”, afirmou. Ela alertou ainda sobre um empréstimo de R 12 bilhões — que pode chegar a R 20 bilhões — e indicou que dificilmente será quitado, agravando as contas do Tesouro Nacional.
Privatização e gestão pública
Questionada pela analista Lucinda Pinto sobre possíveis modelos de privatização com obrigações sociais ao setor privado, Landau defendeu que a função social não deve ser sinônimo de desperdício. “Você tem que ter um edital, uma forma de venda, em que se exija a prestação de serviço até os cantos do Brasil”, argumentou, citando exemplos bem – sucedidos na universalização da energia elétrica e no saneamento básico.
Caso não haja interesse na privatização das estatais, Landau adverte que o governo terá que assumir sua dependência financeira do Tesouro. Nesse cenário, os Correios competiriam por recursos no resultado primário, o que poderia piorar ainda mais as finanças públicas. “O silêncio do governo é muito ruim em relação às suas estatais”, concluiu.
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A economista também mencionou o caso da Ceitec, empresa retirada do processo de liquidação pelo governo atual, como outra decisão questionável na administração das estatais.