Echoenergia, hoje só eólica e solar, avalia hidrelétricas se o governo relicitar concessões
A Echoenergia, braço de geração da Equatorial, estuda disputar leilões de hidrelétricas caso o governo decida relicitar concessões de usinas perto do fim do prazo. Em entrevista ao Alta Voltagem, da CNN, o CEO Liu Aquino afirmou que a fonte hídrica combina com a estratégia de diversificação da companhia.
Para o executivo, novas disputas podem ajudar a reduzir a concentração do setor. “Então, sim, a gente defende que essas concessões vão para a licitação e, certamente, se elas forem para a licitação, a gente vai estar analisando”, afirmou.
Consulta do MME mira prorrogação e relicitação
O MME (Ministério de Minas e Energia) colocou em consulta pública as regras que vão orientar a prorrogação ou a relicitação de usinas hidrelétricas já vencidas ou prestes a vencer. O texto ainda será definido com base nas contribuições recebidas.
A fala de Aquino indica que a empresa quer olhar de perto esses ativos. Ainda assim, uma eventual participação depende da decisão do governo e da avaliação das oportunidades que surgirem.
Hoje, a Echoenergia opera parques eólicos e solares. A entrada no segmento hidrelétrico seria, portanto, uma mudança de perfil de geração.
Hidrelétricas ajudam a equilibrar a oferta de energia
Aquino destacou que as hidrelétricas podem modular a produção, ajustando a geração ao longo do tempo. Usinas com reservatórios guardam água para produzir eletricidade nos momentos de maior demanda.
Esse recurso complementa fontes variáveis, como a eólica e a solar. A flexibilidade, porém, depende da disponibilidade de água e das restrições operacionais e de uso dos recursos hídricos.
Poucos grupos concentram os ativos hidrelétricos
O mercado enxerga uma forte concentração de usinas hidrelétricas em poucas mãos. Atualmente, a Áxia lidera o ranking, com cerca de 44 GW de capacidade, seguida por Engie (10,7 GW), Auren (8.9 GW) e Copel (7,3 GW).
Na visão do executivo, esse quadro justifica novos leilões. “A nossa visão sobre esse tema é que hoje existe uma grande concentração de hidrelétrica na mão de poucos players e as usinas hidrelétricas são os principais fornecedores de energia, principalmente no submercado sul e sudeste”, disse.
Segundo Aquino, uma nova rodada de licitações poderia dividir melhor esse mercado e gerar recursos para a modicidade tarifária, isto é, para aliviar o custo da eletricidade para o consumidor.
O efeito concorrencial, porém, depende de como os certames forem desenhados e de quem vencer. Novos operadores podem entrar na disputa, mas grupos com grandes portfólios também podem comprar essas usinas.
Copel, Áxia e Engie têm posições diferentes
A posição da Echoenergia se aproxima da defendida por Copel e Axia. A Copel sustenta que a competição ajuda a testar o valor das concessões e a alinhar as expectativas dos investidores sobre preços, custos e necessidade de investimentos. A companhia também demonstrou interesse em participar de eventuais leilões.
As duas empresas tiveram concessões renovadas no contexto de suas privatizações. Já a Engie defende a prorrogação, desde que associada a investimentos. No caso da usina de Salto Santiago, no Paraná, a companhia argumenta que uma definição antecipada permitiria acelerar a ampliação da potência da usina.
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