Uganda diz que paciente com Ebola esteve no Congo, mas OMS afirma que não foi informada

A OMS (Organização Mundial da Saúde) afirmou na quinta-feira (22) que não recebeu a informação de que a paciente com Ebola na Nigéria tinha passado pelo Congo. A declaração de Pavel Ursu, representante da organização no país, veio depois que a Uganda disse que a mulher havia visitado o território congolês.
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O dado pesa na investigação: o surto foi registrado pela primeira vez no Congo em meados de maio e, desde então, virou o de propagação mais rápida já documentado. Segundo autoridades de saúde, a doença já matou 4.646 pessoas desde a confirmação dos primeiros casos na República Democrática do Congo.
OMS diz que só sabia de viagem à Uganda
As autoridades nigerianas informaram que o primeiro caso de Ebola no país em mais de uma década é de uma mulher ugandense que acabara de voltar de uma viagem à Uganda. Já o Ministério da Saúde da Uganda declarou que ela também esteve no Congo.
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“As informações fornecidas à OMS não incluíam viagens para outro país (além da Uganda)”, disse Ursu em coletiva de imprensa online. “Segundo os dados que recebemos, a paciente retornou a Abuja no dia 3 de outubro, após ter permanecido na Uganda desde 16 de setembro”, completou.
Ursu afirmou que o foco na Nigéria agora é conter a infecção viral. A paciente segue internada e, de acordo com ele, apresenta melhora nos marcadores bioquímicos.
Origem da infecção ainda é desconhecida
Patrick Otim, gerente de resposta a emergências da OMS, disse na quinta-feira que ainda não se sabe como a mulher foi infectada. As autoridades tentam reconstruir o histórico de viagens dela.
Outro ponto sob investigação, segundo Otim, é quais unidades de saúde a paciente procurou em Abuja depois do início dos sintomas e antes da internação, ocorrida em 9 de outubro.
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Jean Kaseya, diretor da principal agência de saúde pública da África, contou à agência Reuters na quarta-feira (21) que a paciente nasceu na Uganda, é casada com um diplomata suíço e chegou a Abuja depois de duas semanas de férias no país de origem.
Nigéria é o quarto país africano atingido pelo surto
A Nigéria confirmou o caso na terça-feira (21) e se tornou o quarto país africano, e o mais populoso até agora, a ser alcançado pelo surto, segundo autoridades de saúde. A cepa responsável mata cerca de metade dos infectados e não tem tratamento nem vacina aprovados.
Há temor de que a desinformação e a falta de dinheiro acelerem ainda mais a disseminação, dentro e fora da região. “O Ebola agora afeta três regiões da África. A situação exige uma ação urgente e liderança política no mais alto nível”, escreveu Jean Kaseya, diretor-geral dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças, na quarta-feira (21).
Sintomas foram confundidos com malária em Abuja
Odianosen Ehiakhamen, do Centro de Controle de Doenças da Nigéria, disse à emissora Arise TV na terça-feira (20) que a mulher desembarcou em Abuja, a capital, vinda de Adis Abeba, no dia 5 de outubro. Dois dias depois, começou a passar mal.
Em 11 de outubro, ela procurou um hospital particular da cidade com sintomas parecidos com os da malária, mas não melhorou, relatou Ehiakhamen. Quando souberam da viagem recente à Uganda, um dos países afetados, os médicos pediram o teste para Ebola em 19 de outubro.
O resultado positivo saiu na terça-feira.
44 contatos estão sendo monitorados
As autoridades identificaram 44 pessoas que tiveram contato com a paciente, a maioria profissionais de saúde. Entre elas está o marido, cidadão suíço que vive com ela em Abuja.
Os passageiros que viajaram com a mulher também estão sendo rastreados, embora as autoridades não acreditem que ela tivesse sintomas durante o voo. O ministro da Saúde, Muhammad Ali Pate, disse à emissora pública NTA que a paciente está isolada e recebendo tratamento.
Editoria:
Redação Internacional
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