Dólar fecha a R$ 5,4872 com alta de 0,79% e reage a indefinição sobre a Fazenda após eleição
O dólar encerrou a terça-feira (3) em alta, cotado a R$ 5,4872 no mercado à vista, com ganho de 0,79%. O movimento local acompanhou o desempenho da moeda americana no exterior e refletiu a piora da percepção de risco doméstico após o resultado das eleições presidenciais.
O Comitê de Política Monetária (Copom) divulga na quarta-feira (4) sua nova decisão sobre a Selic. A expectativa do mercado é de manutenção da taxa em 13,75% ao ano.
Rumores sobre a Selic e indefinição fiscal pesam sobre o câmbio
Segundo Emerson Junior, head de câmbio e contas internacionais da Convexa Investimentos, os investidores reagiram mal a rumores de que o presidente Lula teria interesse na proposta do economista André Lara Resende, que sugere o tabelamento da Selic.
Ele também apontou que a falta de definição sobre quem comandará o Ministério da Fazenda, somada à ausência de diretrizes para o ajuste das contas públicas na próxima gestão, pressionou os ativos locais.
Por volta de 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara a moeda americana a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, subia 0,12%, aos 101,8600 pontos.
Boletim Focus eleva projeções de inflação e de juros
O Boletim Focus mostrou nova deterioração das expectativas de inflação. A projeção do IPCA para 2026 passou de 5,19% para 5,22%, enquanto a estimativa para 2027 saltou de 4,34% para 4,76%. As estimativas para a Selic também avançaram, o que reforça a leitura de que os juros podem ficar elevados por mais tempo.
Opções do Copom apontam manutenção dos juros
Na atualização de sexta-feira (30), as Opções do Copom da B3 indicavam 72,50% de chance de manutenção dos juros. A probabilidade de corte de 0,25 ponto percentual era de 26%.
Eleições nos EUA e receio sobre regulação de IA entram no radar
No exterior, os investidores acompanharam as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, que podem produzir efeitos na política externa da maior economia do mundo. Francesco Pesole, estrategista de câmbio do ING, avalia que o mercado já incorpora por completo a perda da Câmara pelos republicanos, mas só em parte uma vitória democrata completa.
Para ele, uma chamada onda azul poderia pressionar o dólar.
Ainda no exterior, o temor de uma regulação mais rígida pode pesar sobre as ações de empresas de inteligência artificial. Ao mesmo tempo, os mercados podem passar a precificar riscos maiores de impasse em temas como o financiamento do governo e o teto da dívida.
Editoria:
Redação Economia
A Redação Economia reúne a cobertura do Clique Fatos sobre economia, negócios, mercado financeiro, agronegócio e finanças pessoais. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para contato@cliquefatos.com.br.