Diplomatas dos EUA vão a Taybeh após colonos atacarem europeus e jornalista americana
Diplomatas dos EUA visitaram uma vila cristã palestina na Cisjordânia no domingo (18), após ataques de colonos israelenses contra representantes europeus e uma fotojornalista americana nos dois dias anteriores. A comitiva foi à igreja do Convento Latino e tinha encontro previsto com moradores de Taybeh.
A visita ocorreu enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, manifestava apoio ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nas eleições parlamentares de Israel, marcadas para 27 de outubro. No domingo, o embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, também participou de uma conferência de colonos na Cisjordânia.
Diplomatas e jornalista foram atacados
Riley Barnes, secretária-adjunta de Estado para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e Brian Burch, embaixador dos EUA junto à Santa Sé, integraram a visita a Taybeh. No sábado (17), diplomatas da Bélgica, França e Polônia, acompanhados por um prefeito francês e civis palestinos, foram atacados por colonos israelenses mascarados perto da vila.
Na sexta-feira, Heidi Levine, fotojornalista do Washington Post e cidadã americana, foi levada ao hospital depois de ser agredida enquanto cobria a colheita de azeitonas palestina, nas proximidades de outra vila da Cisjordânia. Huckabee havia escrito na rede social X que “aqueles que atacaram” Levine deveriam ser presos.
A França pediu às autoridades israelenses que prendam os responsáveis pelos ataques de sábado e acabem com a violência criminosa na Cisjordânia. Até domingo, porém, não havia anúncio de prisões relacionadas a nenhum dos dois incidentes.
Netanyahu diz que fatos ainda não estão claros
O ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, e as forças militares israelenses atribuíram o ataque aos diplomatas a “manifestantes israelenses”. Netanyahu afirmou que a comitiva entrou em uma “área sensível, com histórico de confrontos, sem coordenação prévia” com as forças militares israelenses.
Sobre a agressão contra Levine, o primeiro-ministro disse que os fatos ainda não estão “claros”. Sua coalizão corre o risco de perder a maioria no governo.
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Trump já se manifestou contra a anexação da Cisjordânia por Israel, mas sua administração exerceu pouca pressão sobre o governo de direita de Netanyahu, que apoia os assentamentos. Órgãos da ONU e a maioria dos países consideram os assentamentos ilegais perante o direito internacional.
Israel rejeita essa interpretação e classifica o território como “disputado”, e não “ocupado”.
Yesh Din registra ao menos 170 ataques
A Cisjordânia abriga cerca de 500 mil colonos e pelo menos 3 milhões de palestinos. Os ataques de colonos contra palestinos estão em alta: a organização israelense de direitos humanos Yesh Din contabilizou pelo menos 170 registros desde 27 de setembro.
Jornalistas, ativistas e observadores estrangeiros também têm sido alvo. Processos judiciais contra colonos israelenses são raros.
No domingo, a Reuters presenciou ao menos 10 colonos mascarados e vestidos de preto arremessando pedras contra palestinos e ativistas que colhiam azeitonas perto da cidade palestina de Salfit. Os agricultores deixaram o local, enquanto a polícia de fronteira de Israel, que estava na região, disparou bombas de gás lacrimogêneo em direção às colinas.
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