Desemprego cai a 5,2% e ocupação bate recorde, mas vagas com carteira assinada seguem estáveis

Construção civil abriu 210 mil vagas no trimestre até setembro, segundo o IBGE, e puxou a alta, com 103,6 milhões de ocupados e nível de ocupação em 59%.

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Carteira de trabalho | Foto: Getty Images
Carteira de trabalho | Foto: Getty Images

O desemprego no Brasil recuou para 5,2% no trimestre encerrado em setembro, a menor taxa já registrada para o período desde o início da série histórica, em 2012. O levantamento foi divulgado na sexta-feira, 30, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a Pnad Contínua.

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O recuo veio acompanhado de um recorde no total de trabalhadores ocupados, que chegou a 103,6 milhões. O resultado ficou em linha com o que o mercado esperava. No trimestre encerrado em junho, a taxa estava em 5,4%, e no mesmo período de 2025, em 5,6%.

Desocupados somam 5,6 milhões e ocupação cresce

Quem não tinha trabalho e buscava uma vaga somava 5,6 milhões de pessoas no fim de setembro. Isso representa 234 mil desempregados a menos que no segundo trimestre e 417 mil a menos que um ano antes.

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Na mesma comparação trimestral, a população ocupada ganhou 581 mil pessoas. Frente ao período de julho a setembro de 2025, o mercado absorveu 1,2 milhão de trabalhadores. Ainda assim, a taxa de 5,2% não bateu o piso da série: o menor índice já visto foi de 5,1%, no trimestre encerrado em dezembro de 2025.

Nível de ocupação atinge 59%, também o maior da série

O nível de ocupação, que mede a fatia de pessoas trabalhando entre a população em idade de trabalhar, chegou a 59%. É o patamar mais alto desde que a pesquisa existe.

O avanço, porém, não se espalhou por todos os setores. O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado ficou estável em 39,4 milhões. Empregados sem carteira, trabalhadores por conta própria e domésticos também não tiveram mudança relevante.

Quem puxou a alta foi a construção civil, que ganhou 210 mil trabalhadores e cresceu 2,8%. Os demais grupos de atividade não apresentaram variações estatisticamente significativas. Já os empregadores aumentaram 4,3% no trimestre e chegaram a 4,5 milhões, enquanto o setor público atingiu 13,2 milhões de empregados, o maior contingente da série, sem alteração frente ao segundo trimestre.

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A informalidade quase não mexeu. Ela foi de 37,4% para 37,5% da população ocupada, o que equivale a 38,8 milhões de pessoas.

Massa de rendimentos bate recorde de 387,5 bilhões de reais

Com mais gente empregada, a massa de rendimentos também chegou ao maior valor da série. A soma dos ganhos de todos os trabalhadores atingiu 387,5 bilhões de reais, uma alta de 1,5% em relação ao trimestre encerrado em junho, o que representa um acréscimo de 5,6 bilhões de reais.

Na comparação com o mesmo período de 2025, a massa cresceu 4,7%, ou 17,5 bilhões de reais a mais. O rendimento médio real ficou em 3.790 reais. O valor se manteve estável no trimestre e subiu 3,6% em um ano, já descontada a inflação.

Na prática, mais pessoas trabalhando e salários maiores ampliam a renda disponível para consumo, para pagamento de dívidas e para poupança. O dado também interessa ao acompanhamento da atividade econômica, já que um mercado de trabalho aquecido pode sustentar a demanda e dificultar a queda da inflação de serviços.

Subutilização se mantém em 13%, e desalento sobe

A taxa de subutilização da força de trabalho ficou em 13%, praticamente igual aos 12,9% do segundo trimestre. O indicador soma os desempregados, quem trabalha menos horas do que gostaria e as pessoas que poderiam trabalhar, mas não procuraram vaga.

No total, o país tinha 14,8 milhões de pessoas subutilizadas no trimestre encerrado em setembro.

Na comparação trimestral, esse contingente ficou estável, mas caiu em 957 mil pessoas em um ano. Já a população desalentada, formada por quem queria trabalhar mas desistiu de procurar vaga, aumentou em 171 mil pessoas no trimestre e chegou a 2,5 milhões.

Mesmo com a alta recente, o grupo ainda era 178 mil menor do que no mesmo período de 2025.

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