Brasileiro passa 12,5 anos da vida doente, e as empresas sentem o peso nos afastamentos

Levantamento da VR com 309 mil atestados mostra que doenças crônicas, como diabetes e depressão, geram afastamentos de 13,7 dias.

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Afastamento no trabalho | Foto: Getty Images
Afastamento no trabalho | Foto: Getty Images

Os brasileiros vivem mais, mas nem sempre com boa saúde. Um estudo recente publicado na revista internacional The Lancet indica que, em média, 12,5 anos da vida são passados com problemas médicos, contra 10,4 anos em 1990. Esse cenário levanta uma pergunta para as empresas: como manter profissionais saudáveis e produtivos por mais tempo no mercado de trabalho?

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Um levantamento exclusivo da empresa de benefícios VR, obtido pela EXAME, mostra o peso dessas ausências. Ao analisar mais de 309 mil atestados, a companhia constatou que doenças crônicas como diabetes, hipertensão, câncer, ansiedade e depressão levam a afastamentos de 13,7 dias em média.

O tempo é quase o dobro dos 7,1 dias registrados por outras doenças agudas e ocupacionais.

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Doenças crônicas respondem por 12% dos dias de ausência

O estudo cobriu registros de mais de 1,3 milhão de trabalhadores de empresas clientes da VR, entre julho de 2025 e julho de 2026. No período, 154.773 profissionais precisaram se afastar por motivos de saúde. Eles somaram 309.423 atestados médicos e quase 2,2 milhões de dias de ausência.

As doenças crônicas representam cerca de 6% dos atestados analisados, mas respondem por 12% de todos os dias perdidos. Foram 18.829 registros ligados a essas condições, que totalizaram 257.958 dias fora do trabalho. Para a gestão de pessoas, o que pesa é menos o número de afastados e mais o tempo que cada um fica longe da rotina.

Expectativa de vida sobe, mas anos extras nem sempre são saudáveis

O envelhecimento da população amplia essa discussão. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida ao nascer chegou a 76,6 anos em 2024. Em 1940, era de 45,5 anos. Pelas projeções do instituto, a parcela de brasileiros com 60 anos ou mais, que era de 15,6% em 2023, deve chegar a 37,8% em 2070.

Ainda assim, viver mais não garante viver todos esses anos com saúde. Parte dos anos adicionais é vivida com doenças, limitações ou outras condições. A medição não indica necessariamente períodos contínuos de incapacidade, mas mostra uma população que vive por mais tempo.

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“O brasileiro está permanecendo mais tempo no mercado de trabalho. Para ter qualidade, a saúde precisa integrar a gestão do dia a dia, da mesma forma que metas e resultados”, afirma Willian Gil, diretor executivo de Assuntos Jurídicos, Relações Institucionais e Governança Corporativa da VR.

Segundo ele, o cuidado com a saúde dos funcionários em diferentes fases da vida também deve entrar nas estratégias de sustentabilidade das empresas.

Mulheres são 65% dos afastamentos por doenças crônicas

Os dados da VR revelam ainda uma desigualdade entre os trabalhadores. Nos afastamentos em geral, homens respondem por 51% e mulheres por 49%. Nos casos ligados a condições crônicas, elas somam 65%.

Essas ausências também não se concentram nas faixas etárias mais altas. Conforme a pesquisa, 59% dos atestados por doenças crônicas são de profissionais entre 25 e 44 anos. Trabalhadores de 45 a 54 anos somam 19% dos registros, enquanto os de 15 a 24 anos respondem por 12%.

Já quem tem 55 anos ou mais representa 9,5%.

No recorte socioeconômico, as classes B e C concentram 34% e 57% dos casos, respectivamente.

Empresas precisam lidar com tratamentos prolongados desde cedo

Na avaliação da VR, a convivência com doenças crônicas já é um problema para trabalhadores em várias fases da carreira, e não só para quem está perto da aposentadoria. Mesmo que o envelhecimento seja uma tendência de longo prazo, as companhias já precisam administrar profissionais que fazem tratamentos prolongados e acompanhamento médico contínuo.

Para o diretor da VR, isso pede ambientes de trabalho mais flexíveis, capazes de conciliar a saúde dos funcionários com a continuidade das atividades. “Por trás de cada atestado longo existe uma pessoa lidando com uma condição que pede tratamento contínuo, cabendo à empresa criar um ambiente acolhedor, acessível e flexível para que esse trabalhador consiga se cuidar”, disse o executivo.

A Redação Saúde e Educação reúne a cobertura do Clique Fatos sobre saúde, bem-estar e educação. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

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