Denúncias contra clínicas estéticas sobem 90% em um ano; como checar antes de operar

A procura por procedimentos estéticos cresce, e as denúncias contra clínicas que atuam fora das exigências sanitárias acompanham essa alta. Um levantamento do Conselho Regional de Medicina de São Paulo mostra que as queixas contra médicos da área subiram 41% em dois anos.
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As denúncias contra esteticistas, dentistas e outros profissionais saltaram 90% entre 2024 e 2025. Para o delegado Wellington Vieira, da Delegacia do Consumidor da Polícia Civil do Rio de Janeiro, “Casos dessa natureza são cada vez mais frequentes”, e checar a idoneidade de hospitais e clínicas antes de qualquer procedimento é essencial.
Interdições e prisões se espalham pelo Rio
Em outubro, o Grupo Celita Toledo, em Laranjeiras, na Zona Sul carioca, passou a responder a 36 inquéritos, depois de três mortes e dezenas de relatos de necrose, perda de tecidos, cicatrizes e deformações permanentes. Mesmo com as denúncias, havia quinze cirurgias marcadas no dia em que o local foi finalmente interditado.
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Ao comentar a situação em vídeo nas redes, Celita Toledo, proprietária do grupo, afirmou: “Todo paciente nosso tem direito a reparo, não faz porque não quer”. Sobre o restante das acusações, ela disse que a responsabilidade será definida pelo tribunal: “a Justiça vai provar”.
Na mesma semana, uma paciente procurou a polícia em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, depois de ser atendida por uma profissional que não havia concluído a formação. Outras mulheres também relataram insatisfação com o resultado, e a responsável pela clínica acabou presa.
Pouco antes, a polícia civil já havia abordado o Instituto Paula Lima, que tem duas unidades no Rio. Vinte mulheres relataram sequelas após harmonização de glúteos, e a investigação aponta que o PMMA, material sintético proibido no Brasil para fins estéticos, era aplicado nas clientes.
A dona também foi levada à prisão.
Mutirão e preço baixo podem custar caro
A técnica de enfermagem Glaucia Freitas, de 33 anos, mãe de dois filhos, queria colocar próteses de silicone depois da amamentação. Ela encontrou divulgação de cirurgias em mutirão, com atendimento simultâneo de várias pessoas e a promessa de emergência 24 horas e equipe qualificada.
“Preferi pagar mais pelo atendimento exclusivo com um cirurgião específico, mas fui operada por estudantes”, lembra. Em poucos dias, ela notou acúmulo de líquido, que se transformou em ferida aberta, e parte da prótese ficou exposta. “Não tive suporte adequado da clínica e fui internada ao identificarem uma bactéria”, diz ela, que recebeu alta na semana passada.
Mariana Michelini descobriu o PMMA só após consultar médicos
A influenciadora e ex-modelo Mariana Michelini, de 38 anos, fez harmonização facial em uma clínica onde quem aplicava o procedimento era uma dentista. “No início, me senti bonita e pensei que conseguiria até mais trabalho”, conta. Meses depois, ela acordou com dores e rosto inchado, e só então, ao procurar diferentes médicos, soube que havia recebido PMMA.
“Passei os últimos anos à base de antibióticos e precisei remover material dos lábios para não piorar a infecção. Vivia isolada dentro de casa, usando máscara”, lamenta Mariana, que passou por cirurgias delicadas para reconstruir a boca.
Especialistas apontam a busca por padrões e alertam para riscos
Especialistas ouvidos pela VEJA alertam que a expressão “procedimento minimamente invasivo” pode passar a ideia de algo simples, quando um mau atendimento pode deixar sequelas graves e permanentes. Marcelo Sampaio, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), observa que muita gente confunde harmonização e preenchimento com procedimentos do dia a dia, como depilação ou maquiagem.
Na psicologia, o psicanalista Michel Simões, da USP, relaciona a onda de intervenções a padrões estéticos que seguem fortes nas redes. “A mudança física carrega a expectativa de resolver insatisfações profundas e conquistar aceitação, mas novos padrões sempre surgem e outros incômodos aparecem”, ressalta.
Para Sampaio, quem pretende fazer algum procedimento deve “desconfiar de grandes promessas, tirar todas as dúvidas e procurar referências com outros pacientes”.
Editoria:
Redação Clique Fatos
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