Delcy Rodríguez discursa na ONU a poucos quilômetros de Maduro preso em NY
Rodríguez tenta quebrar isolamento venezuelano com discurso e reuniões bilaterais em Nova York.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, discursa nesta quarta – feira (23) na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, a poucos quilômetros do local onde o ex – presidente Nicolás Maduro está preso preventivamente desde janeiro. A viagem de Rodríguez aos Estados Unidos começou na segunda – feira (21), e sua agenda incluiu reuniões de alto nível antes do pronunciamento no plenário.
Ela afirmou ter chegado “com a firmeza e a esperança de um povo que acredita no diálogo e na unidade entre as nações”. No mesmo dia do desembarque, Rodríguez se encontrou com o secretário – geral da ONU, António Guterres; o presidente do BID, Ilan Goldfajn; o presidente do Grupo Banco Mundial, Ajay Banga; e a diretora – gerente do FMI, Kristalina Georgieva.
Também participou de uma reunião bilateral com o presidente americano Donald Trump, à margem da assembleia, para discutir cooperação em energia, mineração e segurança.
O contexto político e a sombra de Maduro
A presença de Rodríguez na ONU ocorre seis meses após a captura de Nicolás Maduro por soldados da Delta Force americana, em 3 de janeiro de 2026. Desde então, a Venezuela reativou relações consulares com Chile, Equador, Peru, República Dominicana e Israel, e recebeu visitas de dois presidentes latino – americanos: o colombiano Gustavo Petro e o paraguaio Santiago Peña.
Rodríguez, que não foi eleita para o cargo, tenta usar a viagem para quebrar o isolamento do país, que não tinha um chefe de Estado discursando na ONU desde 2018.
Trump, por sua vez, tratou a Venezuela como sua grande vitória na política externa. Em discurso na terça – feira (22) na Assembleia Geral, ele citou o acordo assinado pelo Pentágono com a empresa Nabep para acesso a 65 bilhões de barris de petróleo venezuelano. “Ao vencedor pertencem os espólios”, afirmou, em um tom que contrasta com os impasses na guerra com o Irã e na mediação entre Rússia e Ucrânia.
A demonstração de força ocorre em meio à queda de popularidade do republicano a cinco semanas das eleições de meio de mandato.
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Críticas de Lula e a ausência de eleições
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente a relação entre Washington e Caracas. Em entrevista à CNN no início da semana, Lula afirmou que Trump exerce um “papel muito dominante” sobre a Venezuela e que “a soberania da Venezuela acabou”.
Ele defendeu que Rodríguez convoque eleições nacionais para que os venezuelanos decidam o futuro político do país. No plenário da ONU, Lula repetiu o discurso em defesa da soberania, contrastando com o silêncio de outros líderes regionais sobre a falta de data para eleições presidenciais na Venezuela.
Enquanto isso, a opositora María Corina Machado, impedida de retornar à Venezuela, fez três tentativas de voltar ao país enquanto Rodríguez estava fora, mas teve a entrada negada, segundo seu porta – voz. Rodríguez parece apostar na aliança com Trump para garantir a sobrevivência do projeto chavista, deixando de lado o discurso antiamericano que marcou a gestão Maduro — em 2019, como vice – presidente, ela acusou Washington de impor “uma nova forma de terrorismo de Estado” por meio de sanções financeiras.
Expectativa para o discurso na ONU
Agora, Rodríguez terá a palavra na quarta – feira (23) em um fórum onde o chavismo historicamente condenou o imperialismo. As ambições de Washington, porém, se mostraram mais diretas com a revitalização da Doutrina Monroe e a política de deportação em massa de migrantes, que afetou especialmente a comunidade venezuelana.
Antes da captura de Maduro, o chavismo reagiria com veemência. Para Delcy Rodríguez, o tom mudou — e seu discurso será observado de perto por líderes mundiais.