Débora Cadore vendeu o apartamento por R$ 800 mil e hoje tem clínica de 450 m² em Florianópolis

Com receita 20% maior no primeiro ano na sede do Milano Complex, a dermatologista também criou a Cadore Academy, escola médica com alunos de todos os estados.

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Débora Cadore, médica e criadora da Cadore Clínica Dermatológica e da Cadore Academy | Foto: Reprodução/Exame

A dermatologista Débora Cadore vendeu o próprio apartamento em 2014 e investiu todo o dinheiro na expansão de sua clínica, com foco em doenças do couro cabeludo. Hoje, o consultório que ocupava 38 metros quadrados deu lugar a uma estrutura de 450 metros quadrados em Florianópolis, que atende mais de 400 pacientes por mês.

A trajetória também deu origem à Cadore Academy, escola de formação médica com alunos de todos os estados brasileiros. Ela conta que a experiência começou com uma aposta arriscada, feita quando a empresária tinha apenas dois anos de atividade.

Venda do apartamento financiou expansões até o Milano Complex

Os R$ 800 mil obtidos com a venda do imóvel financiaram a primeira ampliação, que acrescentou 125 metros quadrados em 2015. “Era reinvestir tudo o que eu tinha, na hora em que eu poderia comprar ou gastar com outras coisas. Era estudar nos fins de semana enquanto muita gente descansava”, diz ela.

A mudança para a sede atual, no Milano Complex, no centro da capital catarinense, aconteceu em setembro de 2025. Com uma área mais de três vezes maior, os custos fixos também subiram. Segundo a clínica, a receita já cresceu cerca de 20% no primeiro ano no novo endereço.

Mesmo com a experiência anterior, o nervosismo não desapareceu. “Foi o passo mais arriscado e mais assustador. Confesso que, até hoje, não acredito que tive tanta coragem”, afirma. O investimento acumulado em equipamentos e tecnologia é estimado em R$ 2 milhões.

Formação em três estados e começo difícil em Florianópolis

Filha de professores, Cadore nasceu em Brusque e se formou em medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2004. Depois, mudou-se para São Paulo, onde fez residência em dermatologia na Santa Casa e se especializou em oncologia cutânea no AC Camargo Cancer Center.

O interesse por doenças do cabelo e das unhas surgiu durante um período de estudos na Itália, em 2008. Foi lá que ela conheceu a dermatologista Antonella Tosti, que se tornou uma de suas mentoras. Em 2015, ela ainda fez aperfeiçoamento na Universidade de Miami.

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Ao voltar a Florianópolis em 2012, porém, a formação encontrou um obstáculo comum a quem abre consultório particular: a falta de pacientes. Cadore pegou um empréstimo de cerca de R$ 40 mil para pagar a filiação à Unimed. Os pais também ajudaram, vendendo um imóvel comercial em Blumenau para bancar a reforma do espaço.

Durante cerca de um ano e meio, ela atendeu por planos de saúde. O retorno dos pacientes e as indicações permitiram migrar para consultas exclusivamente particulares. Hoje, segundo a clínica, 90% da demanda está ligada a problemas de cabelo e couro cabeludo.

Curso on-line durante a pandemia deu origem à Academy

Foi nessa rotina que surgiu o segundo negócio. Por volta de 2014, médicos passaram a procurar Cadore para ajudar em diagnósticos e tratamentos. Os primeiros grupos reuniam dois ou três profissionais. Pouco antes da pandemia, ela organizou um curso para 30 participantes, com aulas teóricas em um hotel e atividades práticas na clínica.

As restrições sanitárias impediram o encontro presencial. A saída foi levar o conteúdo para a internet, o que alcançou interessados que nem estavam inscritos na turma original. A iniciativa resultou na Cadore Academy, constituída como empresa independente em 2021.

De acordo com a escola, mais de mil médicos já concluíram os cursos.

Atualmente, o ritmo é mais lento por causa da agenda da fundadora, e a escola recebe cerca de dez novos alunos por ano. O formato combina teoria on-line com dois encontros presenciais em Florianópolis.

Na clínica, Cadore passou a usar, em 2022, um protocolo próprio que utiliza material obtido da gordura do próprio paciente para complementar o tratamento de alguns tipos de alopecia. Segundo a dermatologista, 27 pessoas já receberam o procedimento e seguem sendo acompanhadas por ela. “É uma terapia complementar e adjuvante. Não substitui os tratamentos convencionais”, declara.

Paciente volta ao mar e vira a maior conquista

Entre os planos futuros estão a ampliação da formação de médicos e a participação no desenvolvimento de produtos. Ao falar da maior conquista, porém, Cadore lembra de uma paciente com alopecia areata universalis que passou anos evitando o mar por medo de perder a prótese capilar.

Depois do tratamento, a paciente voltou a entrar na água com a família. “Minha maior conquista profissional não é a clínica nem a Academy. É ver a paciente voltar com os resultados do tratamento e retomar a vida”, diz a médica.

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