Daniel Delgado ensina a influenciar algoritmos de redes sociais para personalizar feeds

Ao acessar plataformas como Instagram, Tik Tok ou You Tube, você já se depara com uma decisão prévia: o que será exibido no seu feed e em que ordem. Essa escolha não é feita por um editor humano ou baseada na sequência cronológica das postagens, mas sim por sistemas automatizados que aprenderam, ao longo do tempo, o que mais atrai sua atenção.
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Esses algoritmos utilizam esse aprendizado para compor um feed personalizado em questão de segundos.
Daniel Delgado, especialista em inteligência artificial, acredita que compreender o funcionamento desses sistemas vai além da curiosidade técnica. Para ele, essa compreensão é uma maneira de recuperar parte do controle sobre o que consumimos. “Quem entende o jogo ganha controle real.
Quem não entende ganha apenas a ilusão de escolha”, destaca.
Como ensinar o algoritmo a trabalhar a seu favor
Ao conhecer as regras do jogo, é possível influenciar o aprendizado do algoritmo sobre você. Daniel explica: “O algoritmo aprende pelo que você faz, então aja com intenção.” Isso significa que assistir aos vídeos até o final e salvar conteúdos que realmente te interessam são ações importantes.
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Além disso, interagir ativamente com aquilo que você não deseja ver — deslizando rapidamente, ocultando ou marcando “não tenho interesse” — ensina ao sistema, de forma negativa, o que evitar. Comentar e compartilhar temas desejados são os sinais mais eficazes para aumentar a presença desse tipo de conteúdo no seu feed.
As plataformas também têm investido em ferramentas adicionais de controle. O Instagram, por exemplo, agora oferece a opção de redefinir as sugestões de conteúdo nas configurações. Esse recurso permite apagar o histórico utilizado pelo algoritmo e recomeçar do zero em um ou dois dias. “Uma dica prática: logo após resetar, vale passar de 15 a 20 minutos interagindo apenas com o conteúdo desejado para treinar o novo algoritmo na direção certa”, sugere Daniel.
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O futuro da hiper -personalização
No horizonte da inteligência artificial, a tendência apontada por Daniel é a hiper – personalização dos feeds. Isso implica em ajustes baseados no comportamento, contexto e intenções individuais de cada usuário, com sistemas processando milhões de dados em tempo real.
A Meta já está implementando essa abordagem através do pacote Advantage+, permitindo que anunciantes criem automaticamente imagens e textos adaptados para diferentes perfis de público. Em 2025, mais de quatro milhões de anunciantes estavam utilizando essas ferramentas.
No entanto, quanto ao controle do usuário nesse novo cenário, Daniel observa que existem mais ferramentas disponíveis; porém, sistemas mais sofisticados tendem a ser menos compreensíveis e mais persuasivos. Ele conclui: “O cenário mais provável é um paradoxo: tecnicamente, há mais opções de controle, mas isso exige maior conhecimento e intenção ativa para utilizá – las efetivamente.”
Autor(a):
Lara Campos
Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.



