Brasil ganha 9 mil novos milionários em dólar em 2025, totalizando 386 mil pessoas

O Brasil lidera a América Latina em número de milionários, mas enfrenta uma grave desigualdade patrimonial, com um coeficiente de Gini de 0,81.

05/07/2026 09:30

3 min

Aumento da população milionária não foi acompanhado por uma melhora generalizada na riqueza dos brasileiros
Aumento da população milionária não foi acompanhado por uma melh...

O Brasil ganhou mais de 9 mil novos milionários em dólar durante 2025, consolidando – se como o país com a maior população de milionários da América Latina. Os dados foram revelados no Global Wealth Report 2026, elaborado pela UBS e divulgado nesta terça – feira (30.

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O relatório aponta um crescimento de 2,4% no número de brasileiros com patrimônio superior a US 1 milhão, totalizando cerca de 386 mil pessoas nessa faixa.

Apesar desse aumento, o Brasil ocupa apenas a 17ª posição entre os países que mais criaram milionários em termos percentuais, ficando atrás de nações como Lituânia, Turquia, Letônia e Hungria. Isso indica que, embora a quantidade de milionários tenha crescido, o ritmo foi inferior ao observado em diversas economias menores.

Desigualdade patrimonial no Brasil

O levantamento destaca que o país conta com a maior população de milionários na América Latina, superando o México, que possui cerca de 333 mil indivíduos nessa categoria. Essa liderança regional é contrastada por uma preocupante concentração de riqueza entre uma pequena parte da população.

O Brasil continua enfrentando uma das piores distribuições de riqueza globalmente.

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Conforme o relatório, o Brasil apresenta um coeficiente de Gini de 0,81 — indicador que mede a desigualdade patrimonial. Quanto mais próximo de 1, maior é essa concentração. O país está à frente apenas dos Emirados Árabes Unidos, Rússia e África do Sul nesse aspecto.

Em comparação com economias como Estados Unidos (0,77), México (0,72) e Reino Unido (0,59), fica evidente que uma pequena parcela da população detém a maior parte da riqueza privada.

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Crescimento concentrado entre os ricos

Além disso, os dados indicam que o aumento do número de milionários não se traduziu em uma melhora geral na riqueza dos brasileiros. Entre 2020 e 2025, a riqueza média por adulto no Brasil caiu 3,13%, já descontada a inflação. Esse resultado sugere que o crescimento patrimonial beneficiou principalmente os grupos mais ricos.

Em relação à faixa patrimonial da população adulta brasileira em 2025, aproximadamente 69% ainda possuíam menos de US 10 mil. Apesar dessa porcentagem representar uma melhora em comparação aos anos 2000 — quando quase 90% estavam nessa faixa — ainda assim é insuficiente para recuperar os avanços observados em 2010.

Crescimento dos super – ricos

A expansão da riqueza também se estendeu aos super – ricos do país. O estudo revela que cerca de 43 mil pessoas têm patrimônio entre US 5 milhões e US 100 milhões, com um crescimento médio anual próximo de 10% desde os anos 2000. No último ano, o patrimônio combinado dos bilionários brasileiros cresceu mais de 50%, impulsionado pela valorização dos ativos e pelo aumento do número desses indivíduos.

A UBS destaca que cerca de 73,3% da riqueza bruta das famílias brasileiras está concentrada em ativos financeiros como aplicações e ações. Esse percentual é um dos maiores entre os países analisados e reflete a importância dos ativos financeiros no crescimento da riqueza das famílias mais abastadas no Brasil.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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