Instagram pode drenar energia e psicóloga sugere “detox digital” para recuperar controle do feed

A psicóloga Adriana de Araújo alerta que o design do Instagram dificulta o controle do feed, levando à insatisfação e à “AI resignation” entre os jovens.

30/06/2026 06:12

4 min

Personalizar o feed é uma tarefa hercúlea porque toda vez que abre, o aplicativo volta para o feed padrão: a tela inicial
Personalizar o feed é uma tarefa hercúlea porque toda vez que ab...

Se você tem sentido que o Instagram está drenando sua energia ou causando irritação, talvez seja hora de considerar um “detox digital”. Muitas pessoas se deparam com um feed repleto de notícias negativas e padrões de vida irreais, levando à insatisfação.

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Apesar de personalizar o conteúdo do aplicativo ser uma tarefa difícil, esse é um passo importante para recuperar o controle sobre a própria experiência digital.

A boa notícia é que existem formas simples de ajustar as recomendações do algoritmo. Em poucos toques, é possível ativar o feed cronológico, redefinir conteúdos sugeridos e marcar postagens como indesejadas. No entanto, a maioria dos usuários não faz essas alterações e continua navegando por um feed moldado por uma inteligência artificial que não leva em conta suas preferências reais.

A dificuldade de controlar o próprio feed

Entrevistada pela CNN Brasil, a psicóloga Adriana de Araújo, mestre em Psicologia e autora de 17 livros, comenta que a dificuldade em gerenciar o próprio feed pode ser comparada a tentar seguir uma dieta rigorosa enquanto se vive dentro de um restaurante.

Para ela, essa situação evidencia que não se trata apenas de falta de vontade; o design da plataforma foi feito para dificultar o controle humano.

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Araújo explica que essa inércia ocorre porque as grandes empresas tecnológicas preferem que os usuários sejam consumidores passivos ao invés de curadores ativos do seu tempo online. Essa dinâmica leva à chamada “AI resignation“, um fenômeno onde a percepção dos jovens sobre seu poder de agir se enfraquece.

Eles não desistem por preguiça ou ignorância, mas porque o ambiente digital foi projetado para fazê – los sentir que desistir é a opção mais racional.

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Araújo aponta que isso não é uma falha pessoal; é uma consequência direta do sistema projetado para manter os usuários engajados.

Como os algoritmos influenciam nossas escolhas

O algoritmo do Instagram funciona analisando comportamentos, como quanto tempo um usuário passa em uma postagem ou quantas vezes volta a visualizar uma imagem. Quando alguém marca algo como “não tenho interesse”, mas depois interage com conteúdos semelhantes, o algoritmo prioriza as ações ao invés das intenções expressas.

Esse comportamento cria um descompasso entre os interesses reais e as sugestões apresentadas pela plataforma.

Araújo ressalta que mudar esses padrões requer esforço consciente e energia mental. Para muitos usuários, essa conscientização é difícil e pode levar à confusão sobre como efetivamente alterar suas interações com o aplicativo.

Dicas para fazer detox no Instagram

Um bom começo é acessar o menu da rede social e mudar o feed padrão para “Seguindo”, garantindo que só veja postagens dos perfis que realmente escolheu acompanhar. É importante lembrar que essa configuração precisa ser ativada manualmente toda vez que você acessar a plataforma.

Outra estratégia útil envolve redefinir as preferências de conteúdo acessando Perfil > menu > Preferências de conteúdo > Redefinir conteúdo sugerido. Esse ajuste ajuda a diminuir a influência do histórico recente nas recomendações sem apagar sua conta ou seus seguidores.

Além disso, sempre que encontrar um conteúdo indesejado, marque – o como “não tenho interesse”. Contudo, essa ação deve ser consistente: se você continuar assistindo vídeos similares até o fim, o algoritmo poderá ignorar sua preferência declarada.

A psicóloga também sugere revisar periodicamente quem você segue e prestar atenção ao tempo dedicado a cada postagem. Sair rapidamente de um vídeo sinaliza desinteresse mais forte do que qualquer botão disponível no aplicativo. Por fim, usar o feed “Favoritos” pode ajudar a priorizar contas específicas enquanto ainda permite alguma exposição a anúncios.

Araújo conclui que lidar com essas emoções e criar limites no uso do Instagram são passos essenciais para retomar o controle sobre as escolhas diárias dentro desse ambiente altamente eficaz em moldar comportamentos.

Autor(a):

Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.

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