Cubanos enfrentam apagões com ventiladores sem fio e painéis solares em meio à crise elétrica

A escassez de energia em Cuba força a população a buscar soluções criativas, como ventiladores sem fio e painéis solares, para enfrentar os apagões constantes.

09/08/2026 11:10

3 min

Carro ilumina fachada de prédio em meio a apagão em Havana, Cuba
Carro ilumina fachada de prédio em meio a apagão em Havana, Cuba

A criatividade dos cubanos tem se mostrado fundamental para enfrentar a crescente crise elétrica e os constantes apagões que marcam a vida na ilha. Em agosto, Cuba começou o mês com a sexta queda do Sistema Elétrico Nacional (SEN) do ano, que já se tornou um fator determinante no cotidiano da população.

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Quando ocorrem os apagões, mesmo que a eletricidade não tenha retornado, a União Elétrica (UNE) mantém atualizações regulares sobre a recuperação do sistema, mas falar em restauração do fornecimento de energia parece uma utopia. Na segunda – feira (3), a UNE informou que teria uma disponibilidade de 1.035 MW durante o horário de pico, enquanto a demanda nacional chegava a 3.200 MW, resultando em um déficit de pelo menos 2.195 MW.

Os números são claros: não há energia suficiente para atender à população, especialmente sem combustíveis. A falta desses insumos não se deve apenas à escassez no mercado, mas também às sanções impostas pelos Estados Unidos, que impedem empresas detentoras do produto de vendê – lo às companhias estatais cubanas.

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A paciência colocada à prova

No Paseo del Prado, em Havana Velha, os moradores aproveitam o espaço para socializar até que o som de um motor diesel interrompe o momento. A poucos passos dali, uma retroescavadeira amarela trabalha ao lado de um caminhão — uma visão que antes era comum mas agora é recebida com alegria: a coleta de lixo.

Enquanto isso acontece, moradores se reúnem e um deles leva uma xícara de café para o operador da máquina. É frequente encontrar entulhos nas esquinas da cidade, algo menos comum em outras localidades como Pinar del Río, Viñales ou Cienfuegos. Essa situação é resultado direto da falta de combustível e provoca descontentamento entre os habitantes.

As pessoas costumam se reunir nas calçadas e as crianças brincam nas ruas. Dentro das casas, televisores ligados e ventiladores funcionando oferecem um breve alívio da crise elétrica— por alguns momentos, a normalidade parece retornar. Silverio, um taxista que transportou jornalistas pela cidade, compartilha sua história pessoal: ele tentou recomeçar sua vida nos Estados Unidos com sua esposa e filhos após vender tudo o que tinha, mas foi enganado e não conseguiu viajar.

Os desafios cotidianos

Conformado em permanecer na ilha, Silverio relembra com saudade os tempos em que turistas europeus visitavam Cuba regularmente. Ele recorda como esses visitantes conseguiam economizar para viajar anualmente ou a cada dois anos para lugares distantes como Cuba.

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O desejo dele é simples: trabalhar para sustentar sua família e ter condições básicas como eletricidade e água sem interrupções.

Porém, diante da constante escassez, o cansaço entre os cubanos é evidente. Retornar ao uso de carvão ou lenha para cozinhar não é fácil; passar noites acordados devido ao calor intenso torna – se uma realidade amarga — seja para quem possui apenas um ventilador recarregável ou ar – condicionado.

Para muitos, dormir na entrada das casas ou ao ar livre é uma tentativa desesperada de sentir uma brisa refrescante.

A falta de recursos afeta não só as residências; hospitais e meios de transporte também enfrentam dificuldades significativas. Em algumas ocasiões, o descontentamento se manifesta publicamente. Contudo, mesmo diante dos desafios diários impostos pela crise energética e outras carências essenciais, os cubanos continuam demonstrando resiliência através do “resolver”, um termo local que significa encontrar maneiras criativas de superar as dificuldades da vida.

Autor(a):

Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.

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