Cuba celebra 100 anos de Fidel Castro em meio à grave crise econômica e sanções dos EUA
Cuba reflete sobre o legado de Fidel Castro enquanto enfrenta uma crise econômica severa, intensificada por sanções dos EUA e desafios estruturais internos.
Cuba celebrou nesta quinta – feira (13) o centenário do nascimento de Fidel Castro, em meio a uma das crises econômicas e políticas mais severas da sua história. A situação se agrava devido ao embargo petrolífero imposto pelos Estados Unidos e ao endurecimento das sanções.
De acordo com o governo cubano, mais de 1.500 ativistas e representantes de organizações de solidariedade de mais de 60 países, incluindo nações da América Latina, Europa, África e Ásia, viajaram para a ilha caribenha nesta semana para participar das homenagens.
Na abertura da conferência internacional dedicada ao legado de Fidel, o presidente cubano Miguel Díaz – Canel destacou que “o legado de Fidel nos fala hoje com mais força do que nunca”. Ele enfatizou a importância de recordar Fidel não apenas como uma figura histórica, mas também como um guia para enfrentar os desafios atuais que a “Cuba real de 2026″ apresenta.
Desafios atuais e relações com os EUA
A celebração acontece em um contexto de tensões crescentes entre Havana e Washington. Em janeiro, o governo do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou as pressões sobre Cuba. Essa postura resultou no endurecimento das sanções, que o governo cubano classifica como uma tentativa sem precedentes de paralisar suas finanças e operações.
As consequências dessa política têm sido devastadoras para a ilha. As quedas no fornecimento elétrico chegam a ultrapassar 20 horas por dia em várias províncias, afetando diretamente a produção agrícola, o transporte e o turismo. Em julho passado, três falhas significativas na rede elétrica foram registradas em todo o país.
Em resposta à crise econômica, o governo cubano anunciou em junho um pacote com 176 medidas voltadas para atrair investimentos privados e estrangeiros. Se implementadas integralmente, essas ações representariam uma adesão inédita ao capitalismo de livre mercado, divergindo fortemente do modelo socialista estabelecido por Fidel durante décadas.
Algumas reformas já estão sendo colocadas em prática; no setor energético, por exemplo, as exportações de combustíveis dos EUA para empresas privadas cubanas aumentaram significativamente neste ano.
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Nostalgia e reflexões sobre Fidel
A crise econômica gerou incertezas políticas que levaram alguns habitantes de Havana a refletirem sobre o legado de Fidel. Benito Cisneros, um morador de 62 anos, expressou: “Em um momento de crise como este, ele talvez tivesse outras soluções que hoje simplesmente não temos”.
Fidel Castro nasceu em Holguín no dia 13 de agosto de 1926 e se tornou líder da Revolução Cubana em 1959, consolidando – se como uma das figuras mais influentes da esquerda internacional. Uma década após sua morte, seu legado continua sendo central na narrativa nacional cubana.
No entanto, Fabio Fernández, professor de história da Universidade de Havana, observou que muitos dos atuais líderes do país não seguem os passos do ex – líder. “Invocá – lo é uma tentativa de manter o consenso”, afirmou Fernández. “Mas quando se conversa com as pessoas nas ruas, algo muito evidente surge: muitos acreditam que se Fidel ainda estivesse à frente do país, Cuba seria diferente.”