Cristiano Ronaldo se despede de Portugal e devolve a camisa 7: “Entregar ao futuro”
Cristiano Ronaldo anunciou, na quinta-feira (5), que não voltará a defender a seleção de Portugal. Aos 41 anos, o atacante encerra uma trajetória iniciada em agosto de 2003.
O anúncio chega pouco mais de um mês depois de um desentendimento com o técnico Jorge Jesus, que terminou em punição aplicada pela Federação Portuguesa de Futebol.
Mensagem de despedida exalta a camisa 7
Na mensagem, Cristiano Ronaldo não associou a aposentadoria ao episódio com o treinador. Ele preferiu falar do que viveu com a camisa da seleção. “Aos portugueses, chegou o dia de devolver a camisa 7 da seleção de todos nós. Nunca senti como exclusivamente minha, mas durante 23 anos tive o privilégio e a responsabilidade de vestir, de defender e de levar comigo para estádios do mundo inteiro. Hoje chegou o momento de entregar ao futuro”, afirmou o atacante.
Ele admitiu que a escolha foi difícil e ressaltou o peso de representar Portugal por mais de duas décadas. Também disse que seguirá acompanhando a equipe, mesmo longe das próximas competições.
Como começou o racha com Jorge Jesus
A relação entre os dois se deteriorou no fim de setembro, quando o atacante ficou no banco de reservas durante a vitória de Portugal sobre a Noruega. Ele chegou a fazer exercícios de aquecimento em parte do segundo tempo, mas não foi colocado em campo.
Em 30 de setembro, Ronaldo deixou a concentração da seleção após uma entrevista coletiva em que Jorge Jesus afirmou que cabia a ele decidir quais atletas entrariam em campo. Dias depois, o atacante do Al-Nassr divulgou um comunicado acusando o técnico de descumprir acordos sobre sua participação nas partidas.
Depois, Ronaldo pediu desculpas por ter abandonado a concentração e disse que seguia à disposição para defender Portugal. Mesmo assim, a Federação Portuguesa de Futebol impôs uma suspensão de 30 dias e multa de 255 euros, aproximadamente R$ 1,4 mil. A punição acabou em 30 de outubro, a tempo dos compromissos seguintes da seleção, mas o atacante já havia decidido deixar a equipe nacional.
Ronaldo relembra estreia e agradece a quem o acompanhou
Na gravação, ele voltou à estreia pela seleção, em agosto de 2003, e disse que sua história não cabe apenas nos resultados em campo. Citou vitórias, derrotas e momentos difíceis, além da ligação construída com a torcida. “Durante toda a minha carreira na seleção procurei superar os meus limites, quis ganhar, quis ser o melhor, quis fazer história. Sempre fui exigente comigo próprio, sempre quis mais, sempre acreditei que podíamos chegar mais longe e dei tudo o que tinha por essa camisa”, declarou.
Ao lembrar o período como capitão, ele reconheceu o papel dos colegas de vestiário e dos profissionais que trabalharam com a seleção. “Tive o privilégio de ser vosso capitão, mas nenhum capitão caminha sozinho. E vocês fazem parte da minha história”, afirmou.
Ronaldo também agradeceu a treinadores, dirigentes, médicos, fisioterapeutas e funcionários, e lembrou da família, que suportou as viagens e as ausências de casa.
Para os torcedores, ele disse que guardará com carinho os momentos em que ouvia o hino nacional antes das partidas. “Hoje termina minha caminhada dentro de campo com a seleção. Saio de cabeça erguida, com orgulho do caminho que fiz e com a consciência de que dei tudo o que tinha por Portugal. Mas nunca deixarei de ser um de vocês. Vou continuar sofrendo, vibrando e comemorando cada vitória de Portugal com o coração”, declarou.
O vídeo terminou com uma referência à infância na Ilha da Madeira e ao sonho de virar jogador de futebol. “A camisa 7 fica, o orgulho de ter vestido será meu para sempre. Portugal sempre estará em mim”, concluiu.
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