Coreia do Norte ameaça Coreia do Sul após explosão de mina na fronteira

Kim Yo Jong acusa Seul de “farsa” e promete retaliação imediata se houver disparos contra tropas norte-coreanas.

Visão da zona desmilitarizada que separa as Coreias do Sul e do Norte

A Coreia do Norte voltou a disparar ameaças contra a Coreia do Sul nesta terça – feira (29), prometendo retaliação imediata caso tropas sul – coreanas abram fogo contra seus soldados na fronteira. A crise foi deflagrada pela explosão de uma mina que feriu gravemente dois militares do Sul na Zona Desmilitarizada (ZDM) — episódio que Seul atribuiu a Pyongyang.

Kim Yo Jong, irmã do líder norte – coreano Kim Jong Un, classificou a acusação como “farsa” e afirmou que o Sul pagará um preço pelo que chamou de tentativa de fabricar provas. A declaração foi divulgada pela agência estatal KCNA.

Ameaça de retaliação e acusações de “farsa”

Em comunicado oficial, Kim Yo Jong disse que “os mentores da provocação devem estar preparados para pagar o preço pela farsa que eles mesmos criaram”. Ela classificou a postura do governo sul – coreano como “atitude baixa e suja, típica das tribos da Coreia do Sul“.

A irmã do líder norte – coreano também afirmou que “tal farsa não é novidade alguma”.

Kim negou que tropas do Norte tenham cruzado a Linha de Demarcação Militar, que corta o centro da ZDM. Seul, por sua vez, afirma ter indícios de que soldados norte – coreanos ultrapassaram o limite enquanto faziam obras de fortificação. A Coreia do Norte, em resposta, alega que as construções são “apenas um exercício pleno de soberania, sem qualquer finalidade militar”.

Ainda segundo Kim Yo Jong, caso tiros reais sejam disparados contra soldados norte – coreanos, a retaliação virá imediatamente. “Se uma única bala atingir nosso território, eles devem estar preparados para enfrentar graves consequências”, advertiu.

Investigação conjunta e escalada militar

O Ministro da Defesa da Coreia do Sul, Kang Shin – chul, afirmou nesta terça – feira que minas norte – coreanas causaram a explosão na semana passada. Ele disse que o país tomaria medidas “correspondentes” e que Pyongyang provavelmente plantou os artefatos como parte do reforço da fronteira.

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A Coreia do Sul, em parceria com o Comando da ONU — que supervisiona o armistício da Guerra da Coreia —, investiga o incidente ocorrido em 21 de setembro. Na ocasião, integrantes de uma equipe em missão de reconhecimento dentro da ZDM, que possui quatro quilômetros de largura, foram feridos.

As atividades na fronteira, incluindo a restauração de postos de guarda, refletem uma mudança na política de Pyongyang em relação ao Sul. O regime passou a tratar o vizinho como “inimigo”, abandonando a antiga postura de parceiro com quem colaboraria para uma eventual unificação.

O episódio com as minas tende a complicar ainda mais os esforços do presidente sul – coreano Lee Jae – myung para retomar o diálogo com o Norte. Lee busca melhorar as relações e atenuar as tensões militares na península, mas a escalada recente dificulta qualquer avanço diplomático.