Cooperativas de crédito rural aumentam participação de 13% para 25% entre 2015 e 2026 no Brasil

O cenário do crédito rural no Brasil passou por mudanças significativas nos últimos anos. Enquanto, por décadas, esse crédito foi dominado principalmente por recursos públicos, atualmente as cooperativas de crédito se destacam como uma alternativa crescente.
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Dados do Sicor (Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro), do Banco Central, mostram que a participação dessas instituições nas operações de crédito rural subiu de 13% para 25% entre 2015 e 2026.
Essa mudança acontece em um momento em que o orçamento destinado ao financiamento agropecuário enfrenta pressão. Com os recursos subsidiados perdendo espaço, muitos produtores começaram a buscar alternativas no mercado privado para continuar investindo.
As cooperativas deixaram de ser apenas uma opção e passaram a desempenhar um papel estratégico dentro do Sistema Nacional de Fomento (SNF.
Crescimento das Cooperativas no Crédito Rural
As cooperativas não só aumentaram a concessão de crédito, mas também defendem uma maior participação nas políticas agrícolas e no orçamento destinado ao setor. Roberto Rodrigues, ex – ministro da Agricultura e professor emérito da FGV (Fundação Getúlio Vargas), explica que esse crescimento é resultado da capacidade do cooperativismo de unir pequenos e médios produtores, permitindo que eles atinjam uma escala que não conseguiriam sozinhos.
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“O cooperativismo transformou – se num instrumento de inclusão socioeconômica, principalmente na agricultura”, afirma Rodrigues, ressaltando que o pequeno produtor frequentemente não tem acesso aos mesmos recursos disponíveis para grandes agricultores.
Em 2015, as cooperativas representavam apenas 13% das operações de crédito rural; já em 2025, essa porcentagem saltou para 25%, com um crescimento ainda mais acentuado entre médios produtores.
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No Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), por exemplo, as cooperativas aumentaram sua participação de 21% em 2015 para 50% em 2025. Essa evolução ilustra como essas instituições estão se tornando fundamentais para o financiamento agrícola no Brasil.
A Presença das Cooperativas no Interior
A expansão das cooperativas também se reflete na oferta de serviços financeiros em áreas rurais. Dados do SNCC (Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo) indicam que essas instituições estão presentes em 58% dos municípios brasileiros.
Em 469 cidades, elas são a única opção financeira disponível com atendimento presencial.
Walmir dos Santos, pecuarista de Barreiras (BA), vivenciou essa transformação em sua rotina. Durante anos, ele enfrentou dificuldades para obter crédito através dos bancos tradicionais devido à burocracia e à falta de interesse em atender pequenos produtores. “Quando entrei no Sicredi, as coisas melhoraram muito para mim”, relata Walmir, que conseguiu ampliar seus investimentos e seu rebanho após se tornar cooperado.
A adesão à cooperativa não só facilitou o acesso ao crédito como também proporcionou retorno financeiro através das sobras anuais. Para Walmir, o apoio da instituição foi crucial para seu crescimento: “Eu me sinto valorizado”, diz ele sobre os investimentos que realizou com o crédito obtido.
Financiamento Alternativo e Mercado de Capitais
O avanço das cooperativas não se restringe apenas ao crédito subsidiado; elas também têm buscado recursos no mercado financeiro convencional. Um exemplo notável é o aumento nas emissões de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), cuja emissão pelo sistema cooperativo cresceu mais de 800%, passando de R 8,5 bilhões em 2020 para R 77,3 bilhões em 2024.
Rafael DAgostini, agricultor no Oeste da Bahia, destaca a combinação diversificada de fontes financeiras utilizadas hoje em sua propriedade. “Tem operações via CPR [Cédulas de Produto Rural], linhas de crédito e até recursos internacionais”, explica ele sobre como consegue viabilizar seus investimentos com a ajuda da cooperativa.
A diversificação também é vista como um fator importante que contribui para o fortalecimento das cooperativas. Com uma estrutura crescente e sólida nos últimos anos, os principais sistemas cooperativos — Sicredi, Sicoob, Cresol e Ailos — ampliaram suas operações significativamente.
Segundo dados da ABDE (Associação Brasileira de Desenvolvimento), os ativos totais desses sistemas saltaram de R109,3 bilhões em 2015 para R 857,1 bilhões em 2025.
Papel das Cooperativas na Política Agrícola
Com o anúncio do Plano Safra 2026/27 previsto para esta terça – feira (30), representantes do setor cooperativo pedem maior espaço na distribuição dos recursos destinados à agricultura. Eles defendem que a importância crescente do financiamento privado deve ser refletida nas políticas agrícolas atuais.
A transformação estrutural no financiamento rural demonstra que há um movimento significativo rumo à combinação eficaz entre recursos públicos e privados. O ex – ministro Roberto Rodrigues enfatiza que essa mudança não é apenas sobre financiamento: trata – se da reorganização do agronegócio brasileiro como um todo.
Autor(a):
Pedro Santana
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.



