Casas Bahia pede recuperação judicial após prejuízo de R 10 bilhões no segundo trimestre

O Grupo Casas Bahia protocolou um pedido de recuperação judicial no último domingo (16), em resposta a uma deterioração significativa de suas condições financeiras. A decisão vem após anos de dificuldades acumuladas e se intensificou com um prejuízo líquido de R 10 bilhões registrado no segundo trimestre, um valor que é 18 vezes maior do que o do mesmo período do ano anterior.
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O pedido já recebeu aprovação do Conselho da empresa e inclui outras companhias ligadas ao grupo.
A crise enfrentada pela Casas Bahia foi amplamente comentada por especialistas. A analista de Economia da CNN, Lucinda Pinto, afirmou que a solicitação não surpreendeu o mercado. “Não foi exatamente uma surpresa porque as Casas Bahia vêm arrastando uma crise já há anos”, destacou.
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Ela acredita que as dificuldades financeiras podem ter dificultado a busca por soluções alternativas para a empresa.
Reestruturação e mudanças de nome
A varejista iniciou um processo de reestruturação em 2023, quando Renato Franklin assumiu a liderança e decidiu retomar o nome original, Casas Bahia. Anteriormente, a companhia havia mudado sua denominação para Via Varejo e depois apenas Via, numa tentativa de se firmar como um competidor relevante no e – commerce, rivalizando com grandes nomes como Americanas e Submarino.
No ano passado, em 2024, a empresa já havia realizado uma recuperação extrajudicial para tentar alongar uma dívida que superava R 4 bilhões. Apesar das melhorias em alguns indicadores operacionais, como redução de custos, a companhia ainda enfrenta uma questão estrutural crítica: a necessidade urgente de liquidez.
Dificuldades financeiras e impacto no consumidor
Lucinda Pinto explicou que uma varejista como a Casas Bahia depende fortemente de crédito devido à sua prática de vendas a prazo. “Ela tem um prazo curto para pagar seus fornecedores”, destacou, sublinhando o descompasso entre os recebimentos e os pagamentos.
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O crédito disponível secou devido ao ambiente bancário mais restritivo, afetando diretamente o público – alvo da loja — consumidores das classes C e D — que são os mais impactados pela alta taxa de inadimplência.
Os números financeiros da companhia revelam um cenário preocupante. O prejuízo ajustado, que exclui efeitos extraordinários como o fechamento de lojas, alcançou quase R 1 bilhão. No trimestre, a receita líquida ficou próxima a R 7 bilhões, apresentando um crescimento tímido de apenas 1,6%.
Já o EBITDA, indicador que reflete o lucro operacional da empresa, caiu 9,4% na comparação anual.
Atualmente, a dívida total da companhia soma R 17 bilhões, abrangendo passivos bancários e trabalhistas além de outras obrigações financeiras. Lucinda Pinto ressaltou que esse processo de recuperação judicial permite à empresa continuar suas operações enquanto renegocia suas dívidas com os credores. “A empresa não faliu; ela continua operando normalmente e tem espaço para renegociar com aqueles a quem deve”, concluiu a analista.
Autor(a):
Lucas Almeida
Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.



