Cooperação Feminista em Brasília: Veja como o MST e Cfemea unem vidas e economia!

Lançamento da Cooperação Feminista para a Sustentação da Vida em Brasília
Nesta terça-feira, dia 14, um evento de cunho político-cultural marcou o Armazém do Campo, em Brasília. Foi realizado o lançamento da Cooperação Feminista para a Sustentação da Vida. Esta iniciativa nasce da parceria entre o Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Origem e Formação do Projeto
A concepção dessa proposta teve início em encontros que ocorreram desde setembro. Esses encontros reuniram mulheres de acampamentos e assentamentos localizados no Distrito Federal e em Goiás. Houve um foco especial na região de Brazlândia e no município de Água Fria.
Participação e Processo Formativo
Mulheres de territórios como os acampamentos Pepe Mujica, Noelto Angélico, Ana Primavese e Keno, além dos assentamentos Canaã e Elxadai, estiveram envolvidas no Laboratório Organizacional Feminista para a Sustentação da Vida. Mais de 60 participantes vivenciaram um processo formativo e autogestionário.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Este ciclo de aprendizado teve início em fevereiro e se estendeu por 70 dias. As atividades foram divididas entre a formação intensiva no Centro de Formação Gabriela Monteiro e a realização de práticas diretamente nos territórios.
Pilares da Cooperação Feminista
O evento no Armazém do Campo simboliza o resultado dessa articulação que começou no ano passado. A atividade ocorreu das 16h às 20h e foi estruturada em torno de uma vivência coletiva. O foco principal foi a cooperação feminista e a economia solidária.
Leia também
Integração de Dimensões de Vida
Durante o processo, as participantes criaram a Cooperativa Feminista para a Sustentação da Vida (Coofesus). Esta cooperativa foi concebida para ir além da simples produção e comercialização. Ela visa integrar o trabalho, o autocuidado e o cuidado coletivo como aspectos inseparáveis.
Guacira Cesar de Oliveira, coordenadora do Cfemea, enfatiza o caráter inovador do projeto. Segundo ela, a criação da cooperativa busca romper com modelos econômicos tradicionais, representando uma resposta política e feminista às desigualdades estruturais existentes.
Valorização do Cuidado e Gestão Coletiva
Outro ponto crucial abordado no laboratório foi a valorização do tempo dedicado ao cuidado doméstico e comunitário. A iniciativa propõe ferramentas para mensurar e reconhecer esse tempo como parte fundamental da economia.
As metodologias empregadas incluíram assembleias autogestionadas e a “varinha da fala”, que garante o direito à escuta. Foi utilizado também o “relógio do uso do tempo”, para contabilizar produção, descanso, lazer e cuidado. A gestão foi planejada sem hierarquias fixas, baseada na partilha de decisões.
Impacto Político e Perspectivas Futuras
As participantes também desenvolveram um projeto econômico completo, definindo produtos e estratégias de venda, que incluem feiras e plataformas digitais. Para Guacira César, a experiência aponta caminhos de transformação que ultrapassam a esfera econômica.
Ela ressalta que o processo articula mudanças tanto no nível individual quanto no coletivo, conectando as práticas diárias a um projeto político mais amplo. Trata-se, portanto, de uma ação que atua na micropolítica, transformando a vida das mulheres, e na macropolítica, ao propor novas formas de organização social.
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



