Saara Ocidental: 50 anos de luta e o apelo de Maria José Maninha ao Brasil

Saara Ocidental em foco: 50 anos da RASD! Saiba o que foi debatido sobre autodeterminação e o livro de Hélio Doyle.

13/04/2026 10:37

3 min

Saara Ocidental: 50 anos de luta e o apelo de Maria José Maninha ao Brasil
(Imagem de reprodução da internet).

Saara Ocidental em Foco: Celebração e Luta pela Autodeterminação no DF

A questão da autodeterminação do Saara Ocidental, vista como a última colônia africana, foi o tema central de um evento realizado no Teatro dos Bancários, no Distrito Federal, nesta quinta-feira, dia 9. A ocasião celebrou os 50 anos da fundação da República Árabe Saaraui Democrática (RASD).

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Além da comemoração, o encontro marcou o lançamento do livro “A Guerra do Povo do Deserto”, escrito pelo jornalista Hélio Doyle. Para Maria José Maninha, presidente da Associação de Solidariedade pela Autodeterminação do Povo Saaraui (Asaaraui), esta data representa um marco de resistência contra a repressão.

Denúncias de Ocupação e Pedido de Reconhecimento

Maria José Maninha enfatizou a situação do povo saaraui, afirmando que o território está ocupado pelo Marrocos, onde há prisões e torturas. Ela declarou veementemente que “O Saaraui não se vende”.

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A presidente da Asaaraui também levantou preocupações sobre o apoio internacional, apontando que, embora 84 nações já tenham reconhecido a RASD, o Brasil ainda demonstra hesitação. Ela pressionou o governo Lula pelo reconhecimento do país.

Perspectivas Geopolíticas e Paralelos com Outros Conflitos

A análise sobre os obstáculos internacionais apontou para a influência de potências consideradas imperialistas. Sayid Marcos Tenório, vice-presidente da Asaaraui, estabeleceu paralelos diretos entre o Saara Ocidental e a Palestina.

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“São dois territórios colonizados. O Saara Ocidental está ocupado colonialmente pelo Reino de Marrocos há 50 anos e há uma luta de libertação nacional representada pela Frente Polisário”, explicou ele.

O Bloqueio do Referendo da ONU

Segundo Tenório, o referendo de autodeterminação prometido pela Organização das Nações Unidas (ONU) encontra-se paralisado desde 1992, devido à pressão de países como Estados Unidos e França. O especialista detalhou que as resoluções sobre a desocupação da Palestina foram aprovadas, mas nunca implementadas por veto dos EUA, enquanto o caso do Marrocos sofre pressão da França.

Internacionalismo e Solidariedade Ativa

O deputado distrital Fábio Felix (Psol-DF) reforçou que a solidariedade ao povo saaraui deve ser um princípio inegociável do internacionalismo. Ele criticou o abandono de bandeiras históricas por parte de setores da esquerda.

Felix defendeu que a resistência saaraui faz parte de um enfrentamento global contra o “trampismo” e o imperialismo. O parlamentar ressaltou a necessidade de uma “solidariedade ativa”, citando as caravanas que visitam os acampamentos de refugiados em Tindouf, na Argélia.

Perspectivas de Descolonização e Cultura

O embaixador da RASD no Brasil, Ahmed Mulay Ali Hamadi, alertou para um cenário de “neocolonialismo fascista”, visando o controle das riquezas naturais da região. Ele denunciou o possível fracasso da comunidade internacional em proteger o processo de descolonização.

A deputada federal Érika Kokay (PT-DF) conectou a causa saaraui às lutas históricas do Brasil contra a opressão. Ela declarou que todos participam da luta para romper uma lógica colonialista, unindo a bandeira saaraui às lutas nacionais.

Encerramento do Evento Cultural

A noite no Teatro dos Bancários foi enriquecida por elementos da cultura do deserto. Uma jaima, tenda típica saaraui, foi montada, acompanhada de fotos do cotidiano e da participação feminina na luta por liberdade.

O evento também exibiu no Brasil o documentário “Hijos de Las Nubes”, de Javier Bardem. A abertura musical foi feita pelo Grupo Accordi, que misturou canções autorais e clássicos mundiais, simbolizando a união das lutas. Érika Kokay concluiu lembrando a canção de Mercedes Sosa, reforçando a importância de não se tornar indiferente aos ataques a povos como o palestino e o saaraui.

Autor(a):

Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.

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