Conta de Luz no Brasil deve subir ainda mais; entenda os novos custos e impactos!

Aumento da Conta de Luz no Brasil
A conta de energia elétrica dos brasileiros deve continuar a subir nos próximos anos devido à inclusão de novos custos no setor elétrico, o que pode resultar em um cenário insustentável. Essa é a avaliação do presidente da Frente Nacional dos Consumidores de Energia, Luiz Eduardo Barata, em entrevista ao programa Alta Voltagem, da CNN.
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De acordo com Barata, a Lei 15.269/2025 trouxe avanços significativos, como a criação de um teto para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), um fundo financiado pelos consumidores para apoiar políticas públicas. No entanto, essa legislação não resolveu os principais problemas estruturais do setor.
A entidade aponta que novas despesas já estão sendo incorporadas às tarifas.
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Impacto do Leilão de Reserva de Capacidade
Um dos principais exemplos citados é o leilão de reserva de capacidade, que deve aumentar a conta de luz em cerca de 10%. Barata explica que essa potência poderia ser contratada de forma gradual, para 2026 e 2027, mas o leilão contratou energia até 2031, o que acarretará um custo de R$ 515 bilhões aos consumidores nos próximos 15 anos.
Ele questiona: “Como vamos reduzir o custo da energia se continuamos adicionando novas despesas?”.
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Segundo Barata, a tendência é que os encargos adicionais superem, nos próximos anos, o peso atual da própria CDE. O leilão de capacidade já representa um custo de R$ 39 bilhões por ano, conforme dados da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).
Revisão dos Subsídios e Pressão no Mercado Livre
O presidente da Frente também mencionou que tentou promover uma revisão dos subsídios embutidos na CDE, mas sem sucesso. “Enviamos correspondência a todos os ministros do CNPE, questionando quais subsídios ainda fazem sentido permanecer”, afirmou.
O aumento de custos não se limita ao mercado regulado; Barata destaca que a pressão também já é visível no mercado livre, onde empresas negociam contratos de energia diretamente.
Ele alerta que o setor está caminhando para um desequilíbrio estrutural: “Não teremos falta de energia, pois a capacidade instalada é o dobro da necessidade. O problema é o custo”.
Despesas de Itaipu e Cortes de Geração
Entre as críticas, está a situação da usina hidrelétrica de Itaipu. Barata aponta que as despesas de exploração impõem um custo anual de US$ 1,51 bilhão aos consumidores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. “A tarifa de Itaipu deveria cair de US$ 19 para cerca de US$ 9 por quilowatt, mas isso não ocorreu, pois o tratado não está sendo seguido à risca”, afirmou.
Outro problema identificado é o aumento dos cortes de geração determinados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), seja por falta de demanda ou limitações na rede de transmissão. Estimativas indicam que os prejuízos já ultrapassam R$ 4 bilhões.
A compensação a esses geradores seria feita por meio dos Encargos de Serviço do Sistema (ESS), pagos por todos os consumidores. Contudo, o governo vetou a parte da medida provisória que previa o ressarcimento para usinas eólicas e solares.
Para Barata, a questão continua sem solução: “Os produtores reclamam dos prejuízos, os investidores se sentem inseguros e nós, consumidores, ficamos preocupados, pois essa conta provavelmente acabará recaindo sobre nós”, concluiu.
Autor(a):
Gabriel Furtado
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.



