COP30 destaca Brasil como líder em transição energética, mas alerta para riscos de autossabotagem

COP30 e a Transição Energética do Brasil
A COP30, realizada em novembro de 2025, reafirmou uma realidade já evidente: a transição energética se tornou o novo pilar da competitividade global. Na ocasião, os países reforçaram seus compromissos e aceleraram suas metas, evidenciando que o século XXI será definido por eletricidade renovável, inovações tecnológicas e novos modelos industriais de baixo carbono.
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Nesse contexto, o Brasil destacou-se na COP30.
A indústria de energia elétrica brasileira, em colaboração com o Cebds (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável) e executada pela PSR, apresentou no documento da Coalizão do Setor Elétrico conclusões que ressaltam a força da nossa posição atual.
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O Brasil é um dos poucos países com a capacidade de oferecer energia limpa e competitiva, servindo como plataforma para o desenvolvimento econômico e social.
Com uma matriz elétrica composta por 93% de fontes renováveis, recursos naturais abundantes e um histórico regulatório respeitado internacionalmente, o Brasil possui vantagens que muitos países desejariam ter. No entanto, enfrenta um risco significativo: o risco de autossabotagem.
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O país, que já construiu uma matriz elétrica limpa e robusta, garantindo acesso a 99% da população, vive um paradoxo que compromete sua competitividade.
Desafios da Competitividade Energética
A energia é barata na geração, mas o custo para os consumidores é elevado, representando cerca de 18% do salário mensal das pessoas de baixa renda. Essa contradição enfraquece nossa principal vantagem em um momento em que o mundo busca segurança energética e combate à pobreza energética.
Enquanto muitos países competem por cada megawatt renovável, o Brasil ainda perde parte do valor de sua energia limpa devido a distorções tarifárias que não refletem seu verdadeiro potencial econômico.
A COP30 evidenciou que a segunda fase da transição energética é tão desafiadora quanto a primeira. Não é suficiente apenas gerar energia renovável; é necessário transmiti-la, armazená-la e integrá-la à política industrial, garantindo que chegue ao consumidor de forma competitiva.
O Brasil deve enfrentar quatro desafios cruciais: expandir e modernizar a transmissão, incorporar armazenamento e flexibilidade, alinhar a energia limpa à política industrial e revisar a estrutura tarifária para que os benefícios cheguem à economia real.
Ativos e Oportunidades do Brasil
O Brasil possui dois ativos valiosos: o bônus verde, que transforma nossa matriz renovável em poder geopolítico e vantagem econômica, e o bônus social, que pode reduzir desigualdades e aumentar a produtividade com energia acessível. Contudo, esses bônus só se concretizam com uma coordenação eficaz entre energia, indústria, financiamento e planejamento.
Sem isso, o país continuará a entregar menos do que poderia, permitindo que outras nações aproveitem oportunidades que deveriam ser nossas.
Após a COP30, a questão que se coloca é: como o Brasil utilizará sua vantagem? A conferência de Belém deixou claro que o mundo aguarda exemplos concretos de uma transição justa, competitiva e integrada ao desenvolvimento socioeconômico. O Brasil tem potencial para ser esse exemplo, mais do que qualquer outro país emergente.
No entanto, o protagonismo não se sustenta apenas em palavras; é necessário ter clareza regulatória, coerência política, infraestrutura adequada, competitividade tarifária, visão industrial e capacidade de execução.
Dispomos de recursos, tecnologia e credibilidade, mas não podemos nos dar ao luxo de perder tempo. Se falharmos agora, não será por falta de energia renovável ou tecnologia, mas sim por falta de decisão. E a derrota não será para a Europa, China ou Estados Unidos, mas para nós mesmos — a derrota mais evitável da nossa história recente.
Elbia Gannoum é presidente executiva da Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias).
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



