Congresso avança em proposta de redução da jornada de trabalho, mas setores temem impactos

Discussão sobre Redução da Jornada de Trabalho Avança no Congresso
A discussão em torno da diminuição da jornada de trabalho e a alteração na escala de folgas está progredindo no Congresso Nacional, embora enfrente resistência de setores econômicos que alertam para impactos financeiros significativos. Atualmente, o regime de trabalho no Brasil é de seis dias trabalhados seguidos de um dia de descanso (6×1), com uma carga média de 38,4 horas semanais.
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A proposta do governo federal sugere uma escala de 5×2 (cinco dias trabalhados e dois de descanso, preferencialmente nos finais de semana), com uma jornada de 40 horas semanais e um período de transição de 360 dias. A deputada Erika Hilton (PSOL-SP) apresenta um modelo 4×3 (quatro dias trabalhados e três de folga), enquanto o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) propõe uma abordagem semelhante à do governo.
O analista de economia da CNN, Gabriel Monteiro, analisa as diferenças entre essas propostas.
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Setores Econômicos Alertam para Custos Elevados
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a mudança para uma jornada de 36 horas semanais poderia impactar o PIB brasileiro em mais de R$ 70 bilhões. Representantes do setor industrial expressam preocupação, uma vez que já enfrentam desafios de competitividade internacional.
O setor de bares e restaurantes também manifesta apreensão. Embora apoie a discussão sobre a redução da carga horária de 44 para 40 ou 36 horas semanais, o segmento alerta que a alteração na escala de trabalho exigiria a contratação de mais funcionários para atender à demanda nos finais de semana, sem a possibilidade de compensação financeira ou redução salarial para equilibrar os custos.
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Outro setor que aponta dificuldades é o da construção civil. De acordo com representantes desse segmento, algumas atividades precisam ser realizadas nos finais de semana devido a questões de trânsito e impacto urbano. A mudança na escala poderia aumentar em até 20% o custo de construção no país e prolongar o tempo de execução das obras.
Para o analista, os empresários tendem a preferir a proposta mais moderada, que reduz a carga para 40 horas semanais. “Conversei com alguns empresários e me disseram que haverá impacto, e que sentirão o custo, mas que é um ‘mal necessário’”, explicou.
Próximos Passos na Discussão da Proposta
O tema será debatido na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, que avaliará a validade da proposta. Após essa fase, o texto será encaminhado a uma Comissão Especial, onde os detalhes e possíveis ajustes serão discutidos. Um dos pontos mais delicados será a definição de compensações financeiras para os setores afetados, um tema que o governo já demonstrou resistência em conceder, considerando o objetivo de reduzir renúncias fiscais no país.
Autor(a):
Lara Campos
Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.



