Comissão da Alerj revela que 40% das promoções na Polícia Civil na gestão Curi foram por bravura
A análise da Comissão de Servidores Públicos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) sobre as progressões funcionais na Polícia Civil revela que, na gestão de Felipe Curi, 40% das 2.772 promoções ocorreram por atos de bravura.
O número de promoções por bravura é 189% maior que o de promoções por merecimento. O estudo avalia as promoções por bravura, regulamentadas desde a década de 1980 pelas leis nº 423/1981 e nº 764/1984 para reconhecer ações extraordinárias.
Impacto das promoções por bravura
De acordo com a pesquisa elaborada pelo deputado estadual Flávio Serafini (PSOL), a partir de 2022, as promoções passaram a ser influenciadas por conveniências administrativas, conforme estabelecido pela nova Lei Orgânica. O levantamento destaca que durante a gestão do Delegado Felipe Lobato Curi, houve uma média de duas promoções por bravura diariamente.
Esse dado levanta questões sobre a real motivação por trás dessas concessões.
O estudo também fornece uma visão detalhada das promoções ao longo das últimas gestões. Confira os dados: o Delegado Marcus Vinícius de Almeida Braga, que permaneceu 515 dias no cargo, concedeu seis promoções; o Delegado Allan Turnowski, em seus 564 dias de gestão, realizou 212 promoções; enquanto o Delegado Fernando Antônio Paes de Andrade Albuquerque fez 226 promoções em 542 dias.
O Delegado Marcus Vinícius Amim Fernandes teve um total de 339 promoções em 321 dias; já o Delegado Felipe Lobato Curi se destacou com impressionantes 1.095 promoções em um período semelhante.
Críticas e questões éticas
Durante a gestão de Felipe Curi, entre os dias 26 de novembro de 2024 e 3 de março de 2026, foram registradas as mencionadas 2.772 promoções. Destas, apenas 379 corresponderam ao critério de merecimento (14%), enquanto outras 1.298 foram atribuídas por antiguidade (47%).
As promoções por bravura totalizaram 1.095, representando os citados 40%.
A análise também aborda a problemática da autopromoção por bravura, levantando preocupações ético-jurídicas significativas. Ex-secretários como Marcus Vinícius de Almeida Braga e Flávio Marcos Amaral de Brito receberam uma promoção cada após suas gestões, o que gerou críticas sobre possíveis manipulações do sistema como forma de favorecimento ou troca política.
Por fim, o relatório elaborado pelo deputado Serafini apresenta evidências que sugerem irregularidades na administração pública e foi encaminhado para análise do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). A CNN Brasil tentou contato com os ex-secretários mencionados e com representantes da Polícia Civil para obter respostas sobre as alegações apresentadas.
O espaço permanece aberto para qualquer manifestação das partes envolvidas.
Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido.
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