Claudia Emiko Yoshinaga destaca importância de entender negócios para investir em ações

Compreender a dinâmica dos negócios é essencial para investidores, pois permite identificar oportunidades e mitigar riscos no mercado de ações.

Representação de pessoa avaliando ações de empresas na bolsa de valores.

A análise de empresas para investimento em ações envolve diversos fatores, como a maneira como uma companhia gera e perde dinheiro, a qualidade da gestão e a saúde financeira demonstrada nos relatórios. Também é fundamental considerar a disposição para assumir riscos e o tempo que se pode dedicar à gestão da carteira.

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Essas características geralmente se refletem no perfil do investidor, que pode ser conservador, moderado ou arrojado. Instituições financeiras oferecem testes gratuitos que ajudam a identificar qual desses perfis melhor se adequa às suas características financeiras e de personalidade.

“O primeiro passo é entender o negócio”, afirma Claudia Emiko Yoshinaga, professora associada de finanças da FGV e coordenadora do Centro de Estudos em Finanças (FGVcef). Para ela, isso pode parecer evidente, mas não é tão simples: é preciso saber como a empresa realmente ganha dinheiro.

Um exemplo que ela cita são as locadoras de veículos. Embora o aluguel dos carros seja uma atividade central, o lucro real muitas vezes vem da compra de veículos novos com grandes descontos das montadoras, seguido pela revenda no mercado secundário. “Compreender esses detalhes permite identificar também onde a empresa pode perder dinheiro”, explica.

Considerações sobre riscos e valorização

Para mitigar riscos, como a possibilidade de perder todo o investimento, é importante antecipar cenários econômicos que podem impactar negativamente os investimentos. Outro ponto crucial na avaliação de empresas é considerar seu potencial de valorização.

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Nem sempre as companhias já reconhecidas como boas opções são as melhores escolhas para investimento. “Se todos acham que a empresa é boa, essa percepção já está refletida no preço das ações, e isso não garante lucro ao investidor”, alerta Yoshinaga.

O ideal é adquirir ações quando seus preços estão baixos e esperar que o desempenho da empresa permita uma valorização ao longo do tempo. Essa oscilação nos preços é essencial para garantir ganhos ao investidor.

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A diversificação deve ser um dos pilares na construção do portfólio. Para aqueles que não possuem muito conhecimento sobre ações e o mercado financeiro, concentrar investimentos em uma única empresa ou setor traz riscos significativos. “Como pesquisadora em finanças, acredito que não é fácil acertar quais ações vão ter sucesso”, afirma a professora.

Portanto, além de diversificar entre diferentes ações, incluir ativos como renda fixa e cotas de fundos traz mais segurança ao portfólio.

Avaliação da rentabilidade e gestão

Indicadores financeiros como ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido), margem líquida e ROA (Retorno sobre Ativos) são essenciais para avaliar a rentabilidade das empresas ao longo do tempo. É necessário observar o crescimento das receitas, das vendas e das margens operacionais, assim como o nível de endividamento da companhia. “Mesmo com a Selic em queda lenta, precisamos analisar se a empresa consegue cobrir suas despesas financeiras”, destaca a especialista.

Além disso, aspectos relacionados à qualidade da gestão e às questões ESG (Ambiental, Social e Governança) também devem ser levados em conta. Embora possam não ter um impacto imediato nos resultados financeiros, podem influenciar futuramente o fluxo de caixa e os preços das ações.

A competitividade de uma empresa diz respeito à sua capacidade de superar concorrentes no mercado. Medidas como participação no setor e custo de aquisição de clientes ajudam a avaliar esse desempenho. “Em um mercado competitivo, você não tem controle sobre os preços; precisa se adaptar”, esclarece Yoshinaga.

Cuidado com inteligência artificial

Yoshinaga alerta ainda para os cuidados necessários ao utilizar ferramentas baseadas em inteligência artificial (IA). Apesar da aparência racional dessas máquinas, elas não estão isentas de erros ou vieses humanos durante seu treinamento. A especialista menciona problemas conhecidos como “alucinações” geradas pela IA e limitações no acesso às informações históricas disponíveis.

Essas falhas justificam as ressalvas apresentadas por empresas que utilizam IA em consultorias financeiras: frases como “não sou consultor de investimento” são comuns para evitar responsabilizações por perdas financeiras dos usuários. Assim sendo, recomenda – se revisar qualquer estratégia baseada em IA antes de implementá – la.

Princípios básicos para investir

Investir em ações implica comprar e vender frações de empresas listadas na bolsa. Dados da Anbima mostram que em 2025 as aplicações nesse tipo representaram R 807,3 bilhões, um crescimento de 9,7% comparado ao ano anterior. Por ser um investimento variável indicado para perfis mais arrojados, compreender suas bases é vital para proteger seu patrimônio.

“Você não deve seguir modismos; investir em ações exige preparo psicológico e financeiro para lidar com perdas potenciais”, enfatiza Yoshinaga. Ela ressalta que colocar toda a riqueza em ações pode resultar na perda significativa do patrimônio acumulado.

Por isso mesmo, manter parte da carteira em renda fixa ajuda a proteger contra crises do mercado. Para iniciantes na área de investimentos individuais, Yoshinaga sugere começar com simulações fictícias antes de aplicar capital real: “Identificar gestores ativos ou fundos de ações pode ser uma estratégia valiosa”, conclui.