Claudia Emiko Yoshinaga destaca importância da análise de empresas para investidores em ações

A análise detalhada das empresas é crucial para investidores, pois ajuda a identificar oportunidades e minimizar riscos em um mercado volátil.

13/07/2026 05:45

5 min

Representação de pessoa avaliando ações de empresas na bolsa de valores.
Representação de pessoa avaliando ações de empresas na bolsa de ...

No universo dos investimentos em ações, a análise das empresas envolve diversos fatores essenciais. Isso inclui entender como as companhias geram e perdem dinheiro, a qualidade de sua gestão e a saúde financeira expressa nos relatórios. Outros aspectos importantes são a disposição para assumir riscos e o tempo que o investidor pretende dedicar à gestão da carteira.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Essas considerações geralmente se refletem no perfil do investidor, que pode ser classificado como conservador, moderado ou arrojado.

Segundo Claudia Emiko Yoshinaga, professora associada de finanças da FGV e coordenadora do Centro de Estudos em Finanças (FGVcef), o primeiro passo na avaliação de uma empresa é compreender seu modelo de negócios. “Parece óbvio, mas não é tão simples: é saber como é que essa empresa ganha dinheiro”, afirma.

Ela ilustra com o exemplo das locadoras de carros, que podem gerar receita por meio do aluguel dos veículos, mas seu lucro real vem da compra de automóveis novos com desconto e sua revenda no mercado secundário.

Pontos cruciais na avaliação de empresas

Para minimizar os riscos de perder todo o investimento, é fundamental identificar possíveis cenários econômicos que possam afetar negativamente os investimentos. Entre os fatores a serem considerados está o potencial de valorização das ações.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Muitas vezes, empresas já reconhecidas como boas não são necessariamente as melhores escolhas para investimento. “Se todo mundo acha a empresa boa, essa opinião comum já está no preço”, explica Yoshinaga. O ideal é adquirir ações quando estão subavaliadas e esperar que seu valor aumente ao longo do tempo.

A diversificação também deve ser um pilar fundamental na estratégia do investidor. Para aqueles que possuem menos conhecimento sobre ações e o mercado financeiro, concentrar investimentos em apenas uma empresa ou setor acarreta grandes riscos. A professora destaca que nem mesmo gestores profissionais conseguem acertar sempre as apostas em ações.

Leia também

Assim, além da diversificação entre ações, incluir investimentos em renda fixa e fundos pode proporcionar mais segurança.

A rentabilidade das empresas também merece atenção especial. Indicadores financeiros como ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido), margem líquida e ROA (Retorno sobre Ativos) ajudam a avaliar o desempenho financeiro ao longo do tempo. É importante observar não apenas o aumento nas receitas e vendas, mas também o crescimento nas margens de lucro e operacionais, além do nível de endividamento.

A importância da gestão e da competitividade

A qualidade da gestão da empresa e questões relacionadas a ESG (Ambiental, Social e Governança) devem ser levadas em conta na hora da avaliação. Embora esses fatores possam não ter um impacto imediato nas finanças, suas consequências podem afetar o fluxo de caixa e o preço das ações futuramente.

Além disso, a competitividade é crucial para determinar a capacidade da empresa em se destacar no mercado. Fatores como participação percentual no setor e custo de aquisição de clientes são algumas métricas utilizadas para medir esse desempenho. “Num mercado muito competitivo, você não consegue botar preço; você toma preço”, alerta Yoshinaga.

Mercados com pouca concorrência podem indicar nichos limitados ou baixa perspectiva de crescimento.

Cuidado com ferramentas de inteligência artificial

Yoshinaga ressalta ainda a necessidade de cautela ao utilizar ferramentas baseadas em inteligência artificial (IA). Apesar de parecerem racionais por serem máquinas, essas tecnologias não estão isentas de erros ou vieses humanos que podem levar a decisões equivocadas. “Ela foi treinada com uma série de decisões feitas por humanos”, explica a professora.

Os problemas conhecidos relacionados à IA incluem “alucinações” e acesso restrito a informações históricas, que nem sempre representam com precisão a realidade atual das empresas. Essa possibilidade de erro leva as empresas que utilizam IA a se eximirem de responsabilidade por eventuais perdas financeiras dos usuários decorrentes dessas análises.

Princípios básicos para investir em ações

Investir em ações significa comprar pequenas frações de empresas listadas na bolsa. De acordo com dados da Anbima, em 2025 os investimentos nesse segmento totalizaram R 807,3 bilhões, representando um crescimento de 9,7% comparado ao final de 2024.

Como se trata de um investimento voltado para perfis mais arrojados, entender os fundamentos do mercado é essencial para proteger seu patrimônio.

“Você não é todo mundo”, enfatiza Yoshinaga ao afirmar que seguir modismos pode ser prejudicial. Investir sem estar preparado psicologicamente ou financeiramente pode resultar na perda total dos recursos aplicados. A professora recomenda manter parte do portfólio em renda fixa para garantir segurança durante períodos turbulentos do mercado.

Ainda assim, mesmo investidores experientes enfrentam desafios ao tentar prever movimentos no mercado acionário. Por isso, ela sugere realizar testes com portfólios fictícios antes de investir dinheiro real. “Outra dica seria buscar fundos geridos ativamente”, acrescenta Yoshinaga.

Por fim, ela alerta sobre o mito simplista que diz que basta comprar na baixa e vender na alta para enriquecer com ações: “Isso parece óbvio, mas há várias questões por trás disso”. A professora exemplifica situações onde investidores vendem suas ações durante quedas acentuadas devido à pressão emocional causada pelo medo.

Como começar a investir na bolsa

Para ingressar no mercado acionário, o primeiro passo é abrir uma conta em uma instituição financeira autorizada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Após isso, é necessário avaliar seu perfil considerando quanto pretende investir mensalmente e sua tolerância à volatilidade do mercado.

Tanto investidores iniciantes quanto experientes têm opções variadas: comprar e vender ações diretamente ou optar por fundos que fazem essa gestão por você. Instituições financeiras costumam disponibilizar plataformas completas para facilitar esse processo aos investidores.

Autor(a):

Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!