Claudia Emiko Yoshinaga destaca importância da análise de modelos de negócios em investimentos

A análise do modelo de negócios é fundamental para investidores, pois ajuda a identificar riscos e oportunidades de valorização no mercado financeiro.

13/07/2026 06:16

4 min

Representação de pessoa avaliando ações de empresas na bolsa de valores.
Representação de pessoa avaliando ações de empresas na bolsa de ...

No universo dos investimentos em ações, diversos fatores influenciam a análise das empresas. Questões como a forma de geração de receita, a qualidade da gestão e a saúde financeira, refletida nos relatórios, são cruciais. Além disso, é importante considerar a disposição para riscos e o tempo que se pode dedicar à gestão da carteira.

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Esses aspectos costumam se manifestar em perfis de investimento que podem ser conservadores, moderados ou arrojados.

Segundo Claudia Emiko Yoshinaga, professora associada de finanças da FGV e coordenadora do Centro de Estudos em Finanças (FGVcef), o primeiro passo na avaliação de uma empresa é entender seu modelo de negócios. “Parece óbvio, mas não é tão simples: é saber como é que essa empresa ganha dinheiro”, explica.

Ela cita o exemplo das locadoras de carros. Embora o aluguel seja uma atividade central, o verdadeiro lucro vem da compra de veículos novos com desconto e sua revenda no mercado secundário. Esse tipo de informação ajuda a identificar também os fatores que podem levar a perdas financeiras.

Fatores importantes na avaliação de empresas

Identificar potenciais riscos econômicos que possam impactar negativamente um investimento é fundamental para evitar perdas significativas. Outro ponto relevante é considerar o potencial de valorização das ações. Yoshinaga alerta que nem sempre empresas bem avaliadas são as melhores opções para investimento. “Se todo mundo acha a empresa boa, essa opinião comum já está no preço”, afirma.

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O ideal é comprar ações quando estão subvalorizadas, permitindo um aumento no valor ao longo do tempo.

A diversificação também deve ser um princípio essencial para investidores, especialmente aqueles menos experientes no mercado financeiro. Apostar em apenas uma empresa ou setor pode acarretar riscos elevados. “Nem mesmo gestores experientes conseguem acertar sempre as ações corretas”, observa a professora.

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Portanto, além de diversificar as ações na carteira, incluir ativos como renda fixa e cotas de fundos oferece mais segurança.

A rentabilidade das empresas pode ser avaliada por indicadores como ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido), margem líquida e ROA (Retorno sobre Ativos). Esses dados ajudam a medir o desempenho financeiro ao longo do tempo. É importante observar não apenas o crescimento das receitas, mas também as margens de lucro e o nível de endividamento da companhia. “Por mais que a Selic esteja baixando, isso acontece a passos lentos”, ressalta Yoshinaga.

Competitividade e uso da inteligência artificial

A competitividade no mercado reflete a capacidade da empresa em superar seus concorrentes. Medidas como participação percentual no setor e custo de aquisição de clientes são essenciais para essa avaliação. Yoshinaga destaca que mercados muito competitivos podem pressionar as margens de lucro: “Num mercado muito competitivo, você não consegue botar preço; você toma preço”.

Por outro lado, mercados sem competição podem indicar baixa possibilidade de crescimento.

Outro aspecto importante mencionado por Yoshinaga é o cuidado ao utilizar ferramentas baseadas em inteligência artificial (IA). Apesar da aparência racional dessas máquinas, elas são suscetíveis a erros e vieses humanos durante seu treinamento. A especialista alerta sobre os problemas conhecidos relacionados à IA, como “alucinações” e acesso limitado à informação histórica relevante.

Yoshinaga também ressalta que muitas empresas de IA se isentam de responsabilidades por eventuais perdas financeiras decorrentes do uso inadequado dessas tecnologias. Frases como “não sou consultor de investimento” são comuns nesses serviços para alertar os usuários sobre possíveis falhas nas recomendações fornecidas pela IA.

Princípios básicos para investir com segurança

Investir em ações significa comprar pequenas frações de empresas listadas na bolsa. Dados da Anbima mostram que em 2025 houve um valor aplicado em ações totalizando R 807,3 bilhões, representando um crescimento de 9,7% em relação ao ano anterior.

Entretanto, Claudia Emiko Yoshinaga enfatiza que esse tipo de investimento requer preparação emocional e financeira adequada para lidar com eventuais perdas.

A professora orienta que os investidores não devem colocar toda sua riqueza em ações devido aos riscos envolvidos. Ter parte do portfólio alocado em renda fixa pode proporcionar maior segurança financeira frente às oscilações do mercado. Para iniciantes, investir individualmente pode ser arriscado: “Mesmo profissionais erram frequentemente”, alerta ela.

Yoshinaga sugere testar estratégias com um portfólio fictício antes de investir dinheiro real e procurar gestores ativos em fundos de ações com bom histórico e propostas claras. O princípio básico para ganhar dinheiro com ações é comprar na baixa e vender na alta; no entanto, isso envolve nuances complexas que devem ser compreendidas pelos investidores.

Para quem deseja investir na bolsa de valores, o primeiro passo é abrir uma conta em uma instituição financeira autorizada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Após isso, deve – se avaliar seu perfil investidor levando em conta fatores como quanto pretende investir mensalmente e sua tolerância à volatilidade do mercado.

Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.

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