Conflitos entre facções do Cartel de Sinaloa aumentam após prisão de Ismael “El Mayo” Zambada

Aumento da violência no noroeste do México reflete a luta pelo poder entre facções do Cartel de Sinaloa após a prisão de Ismael “El Mayo” Zambada.

12/07/2026 09:31

4 min

Recente onda de violência em Sinaloa
Recente onda de violência em Sinaloa

Quase dois anos após a captura de Ismael “El Mayo” Zambada, chefe do tráfico mexicano, os conflitos entre as facções do Cartel de Sinaloa permanecem intensos, gerando um cenário de violência no estado noroeste do México. Um relatório da organização não governamental International Crisis Group, divulgado nesta terça – feira (7), alerta que o tráfico de fentanil continua ativo, mesmo com as grandes apreensões feitas pelo governo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O documento foi publicado um dia depois que Zambada aceitou uma condenação à prisão perpétua, solicitando ser enviado a uma penitenciária que ofereça cuidados adequados à saúde. A sentença do traficante, que se declarou culpado por tráfico de drogas em agosto de 2025, está marcada para o dia 20 de julho.

A prisão de Zambada, cofundador do Cartel de Sinaloa junto com Joaquín “El Chapo” Guzmán, ocorreu em julho de 2024 no território americano. Ele alegou ter sido enganado por Joaquín Guzmán López, filho de El Chapo, que o levou aos Estados Unidos sob falsas promessas.

Desde então, a relação entre os governos do México e dos Estados Unidos se tornou tensa. O México cobra esclarecimentos detalhados sobre as circunstâncias da captura.

Conflitos internos no Cartel de Sinaloa

A detenção do líder do tráfico desencadeou uma disputa acirrada entre as facções Los Mayos e Los Chapitos dentro do Cartel de Sinaloa. Essa luta pelo poder resultou em centenas de homicídios dolosos e outros episódios violentos enquanto tentam controlar uma das maiores organizações criminosas da região.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O relatório do International Crisis Group destaca que essa ruptura violenta representa uma das maiores crises de segurança enfrentadas pela presidente mexicana Claudia Sheinbaum.

Desde setembro de 2024, as duas facções têm travado batalhas em cidades como Culiacán e Mazatlán. Ambas utilizam armas avançadas e até drones para intimidar seus rivais, elevando os níveis de violência e interrompendo a vida cotidiana nas áreas afetadas.

Leia também

O documento aponta três fatores principais por trás da brutalidade desses confrontos. Primeiro, há uma busca intensa por vingança entre as facções; segundo, a necessidade urgente por novos integrantes leva grupos a recrutar jovens com pouca experiência em combate; por último, estão adotando táticas violentas observadas em outras organizações criminosas.

Impacto da violência e tráfico de fentanil

A rivalidade interna no Cartel elevou os índices de violência em Sinaloa a níveis alarmantes. Desde o início dos confrontos até maio deste ano, foram registrados 2.829 homicídios dolosos — sendo 1.656 apenas em 2025, considerado o ano mais letal na última década para o estado.

Embora o envio das forças armadas pelo governo tenha conseguido conter alguns confrontos nas áreas urbanas, a violência se deslocou para regiões rurais. Além disso, mesmo com prisões e apreensões crescentes não há sinais concretos de que a produção e o fluxo de fentanil rumo aos Estados Unidos tenham sido interrompidos.

De acordo com autoridades e especialistas consultados no relatório, muitos cartéis estão priorizando o fentanil devido à sua facilidade de produção e alta lucratividade. Nas cidades fronteiriças como Tijuana e San Diego, consumidores ainda relatam acesso irrestrito ao fentanil por preços baixos.

Pressões dos EUA sobre o México

A situação no Cartel de Sinaloa também ocorre sob pressão contínua dos Estados Unidos sobre o México relacionada à segurança pública e ao combate ao crime organizado. Em fevereiro de 2025, logo após Donald Trump iniciar seu segundo mandato presidencial, os EUA designaram o Cartel como uma organização terrorista estrangeira.

No final abril deste ano, as tensões aumentaram quando o Departamento de Justiça dos EUA acusou o governador Rubén Rocha e nove funcionários do estado por crimes relacionados ao narcotráfico — acusações negadas pelos envolvidos. Sheinbaum defende que não houve provas suficientes para justificar detenções ou extraditações.

O International Crisis Group recomenda que o governo mexicano tome ações efetivas diante das acusações contra políticos locais e inicie investigações judiciais para desmantelar redes corruptas associadas ao narcotráfico. A falta de ação poderá perpetuar um ambiente onde Sinaloa e outras regiões continuem vivendo sob a ameaça constante da criminalidade organizada.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!