Cientistas reconstroem sons de floresta jurássica, incluindo frequência ultrassônica

A análise de 20 asas fossilizadas de nove espécies indica que os insetos produziam vibrações de até 20,5 kHz, muito antes dos primeiros morcegos conhecidos.

31/08/2026 13:22

3 min

Como soava uma floresta há 165 milhões de anos? Cientistas recriam sons
Como soava uma floresta há 165 milhões de anos? Cientistas recri...

Um estudo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) indica que uma floresta do período Jurássico, há 165 milhões de anos, tinha sons que não poderiam ser percebidos pela audição humana. A conclusão surgiu da análise de fósseis encontrados no que hoje é a Mongólia Interior, na China.

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Pesquisadores examinaram 20 asas de nove espécies e reconstruíram as frequências que esses animais provavelmente produziam. O resultado sugere uma paisagem sonora mais variada do que a mostrada em filmes como .

Como os sons foram reconstruídos

As asas fossilizadas apresentavam estruturas especializadas para gerar vibrações. Em insetos atuais, uma parte de uma asa se move contra outra, em um mecanismo semelhante ao de um instrumento musical. Esse contato produz o chamado.

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Para estimar o funcionamento dessas estruturas no passado, a equipe comparou os fósseis com asas de insetos modernos. Também aplicou medições feitas com laser e modelos computacionais capazes de indicar como as estruturas vibravam.

A maioria das espécies analisadas teria emitido sons entre aproximadamente 5 e 7 quilohertz (kHz). Essa faixa ainda está dentro do limite percebido pelo ouvido humano, embora a reconstrução não permita saber com precisão como eram o ritmo, a cadência e a intensidade dos chamados.

Uma das espécies, porém, apresentou uma frequência bem mais alta. O Sigmaboilus peregrinus provavelmente produzia um som em torno de 20,5 kHz.

Som ultrassônico antes dos morcegos

O limite superior da audição humana é geralmente estimado em cerca de 20 kHz. Por isso, a frequência atribuída ao Sigmaboilus peregrinus estaria na faixa do ultrassom e seria praticamente inaudível para uma pessoa.

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A descoberta chama atenção porque esses insetos existiram muito antes dos primeiros morcegos conhecidos. Esses mamíferos usam sons de alta frequência na ecolocalização, e uma das hipóteses levantadas para explicar a comunicação ultrassônica em outros animais é justamente a influência dos morcegos.

O estudo aponta, no entanto, que insetos já poderiam usar esse tipo de comunicação há cerca de 165 milhões de anos. Entre as possíveis pressões evolutivas estão a presença de predadores e a necessidade de comunicação entre os próprios insetos.

Os fósseis não funcionam como uma gravação da floresta jurássica. Eles preservam estruturas associadas à produção dos sons, mas não registram todos os elementos necessários para reconstruir com exatidão a experiência sonora daquele ambiente.

A pesquisa oferece, portanto, uma estimativa de parte da paisagem sonora do período. Além dos grandes dinossauros, a floresta teria pequenos animais emitindo chamados em diferentes frequências, alguns audíveis para humanos e outros completamente fora do alcance dos nossos ouvidos.

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

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