Cerrado em crise: debate discute o futuro das águas do Brasil

Mobilização no Eixão do Lazer, no Dia Mundial da Água, debate a crise hídrica no Cerrado: 88% das bacias perderam vazão.

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Foto: Agência Brasil

Crise hídrica no Cerrado em debate no Dia Mundial da Água

No próximo domingo (22), o Eixão do Lazer será palco de uma importante mobilização para discutir a grave crise hídrica que assola o Cerrado. O evento, parte da campanha “Cerrado Coração das Águas”, reunirá organizações socioambientais, pesquisadores e especialistas para analisar o papel crucial do bioma no abastecimento de água do país.

A iniciativa acontecerá na 204 Norte, a partir das 10h30, prometendo um debate aprofundado sobre as soluções necessárias.

Especialistas discutem urgências da proteção hídrica

A programação do evento contará com a presença de nomes renomados como a professora Mercedes Bustamante (UnB), o pesquisador Yuri Salmona (Instituto Cerrados) e a ecóloga Isabel Figueiredo (ISPN). Os debatedores abordarão a necessidade premente de proteger áreas de recarga e nascentes, um tema central para garantir a disponibilidade de água no Cerrado.

A discussão se concentrará nas consequências do desmatamento e na urgência de medidas para reverter o quadro atual.

Dados recentes revelam um cenário preocupante. Um estudo conduzido por Yuri Salmona aponta que 88% das 81 bacias hidrográficas do Cerrado apresentaram redução de vazão entre 1985 e 2022. A projeção é alarmante: o bioma poderá perder 35% de suas reservas de água até 2050, caso o desmatamento continue em ritmo acelerado – atualmente, mais de 50% da vegetação nativa já foi perdida.

O pesquisador alertou para a necessidade de frear a expansão da produção de commodities agropecuárias, que dependem da irrigação e pressionam os recursos hídricos comuns.

Serrinha do Paranoá e a defesa do patrimônio hídrico

Além da discussão sobre o Cerrado como um todo, a mobilização também abordará a situação da Serrinha do Paranoá, uma área estratégica para a segurança hídrica do Lago Paranoá. A região se tornou um símbolo da luta contra a ocupação urbana e a monetização de ativos ambientais, em decorrência de uma lei distrital que permite a transferência de patrimônio público para instituições.

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O debate busca garantir a proteção desse importante ecossistema.

Atividades complementares ao evento

Após o debate principal, o evento oferecerá uma oficina de colagem de “lambes” com o Coletivo Transverso e uma roda de choro com Marcio Marinho e convidados. A iniciativa é organizada por entidades como ISPN, WWF-Brasil, IPAM, Instituto Cerrados, Funatura e Rede Cerrado.

O evento é uma realização conjunta entre essas organizações, buscando promover a conscientização e a mobilização em torno da questão da água no Cerrado.

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