Cardozo sobre virada de Lula: “Não existe essa alternativa” entre mobilização e antibolsonarismo
Os comentaristas da CNN José Eduardo Cardozo e Vinicius Poit discutiram na segunda-feira (26), no programa O Grande Debate, se a virada de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de domingo (25) foi definida pela mobilização popular ou pelo antibolsonarismo.
Lula foi reeleito no segundo turno, superando Flávio Bolsonaro por mais de 4,5 milhões de votos.
A vitória também entra para a história: foi a primeira vez na história da República que um candidato que saiu atrás no primeiro turno conseguiu reverter o resultado no segundo.
Para Cardozo, mobilização e antibolsonarismo não se separam
José Eduardo Cardozo defendeu que os dois fatores são inseparáveis. “Não existe essa alternativa”, afirmou. Ele descreveu a mobilização vista nas ruas de diversas cidades, especialmente na Avenida Paulista, em São Paulo, como uma intensidade raramente vista.
“Lembrava grandes mobilizações da época do fim da ditadura, e talvez com maior expressão”, destacou Cardozo.
Na avaliação dele, a vitória veio da soma de dois grupos. De um lado, eleitores que viam na campanha de Lula a continuidade de boas políticas e a defesa da democracia. De outro, setores sem identidade forte com a esquerda, mas que enxergavam no bolsonarismo um risco para a democracia brasileira. “Uma parte da direita se deslocou porque sabia que não podia ser hegemonizada pelo bolsonarismo”, analisou.
Cardozo também apontou erros da campanha adversária, como a postura considerada arrogante de Flávio Bolsonaro após o primeiro turno e declarações polêmicas nos debates televisivos.
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Poit vê esforço da esquerda e admite “salto alto” da direita
Vinícius Poit concordou que a virada resultou de uma combinação de fatores. Ele reconheceu a mobilização expressiva da campanha de Lula, com a entrada de nomes como Camilo Santana (PT-CE) e Rafael Fonteles (PT), que deram outro tom ao segundo turno. “Os caras da esquerda trabalharam e foram atrás do voto”, disse.
Poit também admitiu, com ressalvas, que houve “salto alto” por parte de setores da direita após o primeiro turno. Ele discordou de Cardozo sobre o desempenho de Flávio Bolsonaro nos debates, por considerar que o candidato se saiu bem nas duas ocasiões.
Aliados de Flávio cogitam contestar a eleição, mas Poit descarta
Poit afirmou que aliados de Flávio Bolsonaro cogitam questionar a eleição com base em suspeitas de abuso de poder econômico relacionado à mobilização digital da campanha vencedora. Ainda assim, ele se posicionou contra tentativas de reverter o resultado.
“Quem vai julgar qualquer possível irregularidade é o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o STF (Supremo Tribunal Federal). Vamos em frente”, declarou.
Poit lembrou ainda que o próprio partido de Flávio Bolsonaro já reconheceu a vitória de Lula. Para ele, independentemente do resultado, o caminho agora é seguir adiante, de olho nas próximas eleições.
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