Canal do Panamá, aberto em 1914, segue como rota-chave do comércio e alvo de EUA, China e Panamá
O Canal do Panamá, inaugurado em 1914, continua entre as rotas marítimas mais importantes do comércio mundial. Ele também é alvo de disputas geopolíticas entre Estados Unidos, China e o próprio Panamá.
Esses conflitos, no entanto, são anteriores à obra. A rivalidade entre potências já aparecia bem antes da construção oficial da via.
Tratado de 1850 tentou conter a rivalidade pelo canal
Em 1850, EUA e Grã-Bretanha fecharam o Tratado Clayton-Bulwer para frear a disputa em torno de um possível canal anglo-americano. A proposta foi apresentada pela República Centro-Americana da Nicarágua. Pelo Departamento de Estado dos EUA, o projeto nunca saiu da fase de planejamento.
Enquanto isso, os franceses avançavam com planos para cortar o Panamá, então província da Colômbia. Liderados por Ferdinand de Lesseps, o mesmo construtor do Canal de Suez, no Egito, eles iniciaram as escavações em 1880.
A obra, porém, enfrentou doenças como malária e febre amarela. Depois de 9 anos e da perda de aproximadamente 20 mil vidas, a tentativa francesa também naufragou.
Mesmo assim, o interesse americano pelo canal não diminuiu. O Tratado Hay-Pauncefote, de 1901, revogou o Clayton-Bulwer e deu aos Estados Unidos a licença para construir e administrar a própria via.
Senado dos EUA escolhe o Panamá como rota em 1902
Em 1902, após um debate sobre a localização da via marítima, o Senado dos EUA votou a favor da construção pelo Panamá. Seis meses depois, o secretário de Estado John Hay assinou um tratado com o ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Tomás Herrán, para erguer o novo canal.
O Congresso colombiano, contudo, considerou os termos financeiros inaceitáveis e rejeitou a proposta. Como reação, o presidente Theodore Roosevelt mandou navios de guerra americanos para a Cidade do Panamá, no Pacífico, e para Colón, no Atlântico.
A medida, segundo o Departamento de Estado dos EUA, buscava apoiar a independência do território.
As tropas colombianas não conseguiram cruzar a selva do Darién, na fronteira. O Panamá, então, declarou independência em 3 de novembro de 1903.
Bunau-Varilla negocia faixa de terra e pagamentos aos EUA
A recém-proclamada República do Panamá nomeou Philippe Bunau-Varilla como Enviado Extraordinário e Ministro Plenipotenciário. Engenheiro francês, ele já havia participado da tentativa anterior de Lesseps.
Na função, Bunau-Varilla negociou o Tratado Hay-Bunau-Varilla. O acordo garantiu aos Estados Unidos uma faixa de terra de 16 quilômetros de largura para o canal. Pelo texto, o Panamá recebeu de uma só vez US$ 10 milhões (R$ 50 milhões), além de uma anuidade de US$ 250 mil (R$ 1,3 milhão).
Washington também se comprometeu a garantir a independência do Panamá. Em 1914, apesar das disputas atuais por controle, a construção da via simbolizou uma grande conquista para a política externa americana.
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